Por Redação
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou polêmica ao compartilhar um vídeo em uma rede social durante a madrugada de sexta-feira. O vídeo contém imagens racistas representando o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. Além disso, o vídeo, com aproximadamente um minuto de duração, dissemina teorias da conspiração e alegações não comprovadas de fraude nas eleições de 2020, ano em que Trump foi derrotado pelo presidente democrata Joe Biden e se recusou a reconhecer os resultados.
A publicação de Trump faz parte de um total de 60 postagens realizadas pelo ex-presidente em um período de apenas três horas. A maioria das publicações continha acusações de fraude eleitoral em 2020, que nunca foram comprovadas.
O vídeo que ataca a imagem de Obama, o primeiro presidente afro-americano dos EUA, também reforça alegações, já desmentidas, sobre a empresa de contagem de votos Dominion Voting Systems ter contribuído para a fraude naquela eleição.
Vale ressaltar que a emissora Fox News fez um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a Dominion para encerrar um processo de difamação movido pela empresa de tecnologia, devido à veiculação dessas falsas acusações.
Reação
O líder dos democratas da Câmara de Representantes dos EUA, o deputado Hakeem Jeffries, manifestou seu apoio a Obama e Michelle, elogiando-os como “o melhor deste país” em resposta à publicação de Trump.
Jeffries chamou Trump de “verme vil, desequilibrado e maligno” e questionou o apoio de líderes republicanos como John Thune a esse tipo de comportamento. Ele pediu para que todos os republicanos denunciassem imediatamente o fanatismo de Trump.
Cenário eleitoral e manipulação política
A tentativa de reforçar a tese de fraude eleitoral de 2020 por parte de Trump ocorre enquanto há especulações de que o ex-presidente pode perder a pequena maioria que possui na Câmara e no Senado dos EUA nas eleições deste ano. Essa estratégia parece visar deslegitimar processos democráticos para mobilizar sua base eleitoral.
No último fim de semana, um democrata conquistou uma cadeira no Senado estadual do Texas que era ocupada por um republicano desde a década de 1990, demonstrando uma mudança na política local. Além disso, houve acusações não comprovadas de que imigrantes ilegais estariam corrompendo as eleições nos EUA, alimentando um cenário de polarização.
No ano passado, republicanos modificaram os limites dos distritos eleitorais em alguns estados, em uma prática conhecida como “gerrymandering” ou manipulação eleitoral, com o objetivo de favorecer determinadas visões políticas.
