Por Patrícia Silva
Um estudo realizado pelo Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde apontou um aumento significativo na frequência de mulheres brasileiras entre 50 e 69 anos que realizaram mamografia. Os dados revelam que a porcentagem passou de 82,8% em 2007 para 91,9% em 2024, visando o diagnóstico precoce do câncer de mama, que é a doença mais comum e fatal entre mulheres.
Aumento da cobertura e faixas etárias
O levantamento da Vigitel mostrou que a realização de mamografias aumentou em todas as faixas etárias e níveis de instrução. Entre as mulheres de 60 a 69 anos, o crescimento foi de 81% em 2007 para 93,1% em 2024. Já entre aquelas sem instrução e com ensino fundamental incompleto, a variação foi de 79,1% para 88,6% no mesmo período.
Além disso, a porcentagem de mulheres entre 50 e 69 anos que fizeram mamografia nos últimos dois anos também teve um aumento, especialmente na faixa etária de 60 a 69 anos, que subiu de 67,2% em 2007 para 74,2% em 2024.
“Um quarto dos casos de câncer de mama detectados ocorrem na faixa etária de 40 a 49 anos”, destacou o ministro da Saúde, reforçando a importância da expansão da mamografia para esse público por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) para o diagnóstico precoce.
Ampliação e desafios no SUS
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde ampliou o rastreamento mamográfico para mulheres de 40 a 49 anos, independentemente da presença de sintomas. Anteriormente, o acesso ao exame na rede pública dependia de histórico familiar ou manifestação de sintomas. Em 2024, as mamografias realizadas no SUS em pacientes com menos de 50 anos corresponderam a 30% do total, ultrapassando 1 milhão de exames.
Outra medida anunciada foi a ampliação da idade limite para rastreamento ativo, passando de 69 para 74 anos, com recomendação de mamografia preventiva a cada dois anos. Essa decisão foi tomada considerando que quase 60% dos casos da doença estão concentrados entre os 50 e 74 anos, sendo o envelhecimento um fator de risco.
O câncer de mama é a neoplasia mais comum e a principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil, com cerca de 37 mil óbitos por ano. Estimativas recentes indicam a ocorrência de 78.610 novos casos anuais entre 2026 e 2028 no país, conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).
O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Rio de Janeiro ressaltou que muitas mulheres ainda buscam tratamento em estágios avançados da doença, prejudicando a eficácia do tratamento e aumentando o risco de mortalidade.
Impacto do diagnóstico precoce
A baixa cobertura da mamografia em parte da população, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a demora no início da terapia são desafios apontados pelo presidente da SBM-RJ. Ele destaca a importância de hábitos saudáveis e educação em saúde, juntamente com a realização periódica de mamografias, para o combate eficaz ao câncer de mama.
Medidas como a prática regular de atividade física, manutenção do peso adequado, alimentação equilibrada e redução do consumo de álcool são recomendadas para diminuir o risco de desenvolvimento da doença. O acesso rápido ao tratamento após o diagnóstico também é fundamental, seguindo a lei dos 60 dias que garante o início do tratamento no prazo estabelecido.
“Nosso compromisso é ampliar o acesso, reduzir desigualdades e tornar a mamografia parte da rotina de cuidados das mulheres. Essa é uma responsabilidade compartilhada por gestores, profissionais de saúde e toda a sociedade”, afirmou o presidente da SBM-RJ.
Patrícia Silva, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestranda em Comunicação Política (Universidade Federal de Brasília); Pós-Graduanda em Neuromarketing; Especialista em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde; Extensão em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo; Experiência em Comunicação e Assessoria de Imprensa em órgãos públicos e legislativos.
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