Brasil repudia ações de EUA e Israel contra o Irã. Violência militar desencadeia caos e êxodo da população civil.

Por Gabriel Lima

O governo brasileiro expressou sua posição contrária aos ataques militares realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) demonstrou séria preocupação com os bombardeios, que aconteceram em um momento de negociação sobre o programa nuclear iraniano e causaram pânico generalizado e a fuga de civis em várias cidades do país, incluindo Teerã, a capital.

O Itamaraty enfatizou que as negociações são fundamentais para a paz, reafirmando a posição tradicional da diplomacia brasileira na região. O órgão pediu às partes envolvidas que evitem uma escalada nas hostilidades.

“O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e ajam com máxima contenção, a fim de evitar a intensificação das hostilidades e garantir a proteção de civis e da infraestrutura civil”, declarou a nota.

O embaixador do Brasil em Teerã, André Veras Guimarães, está em contato com a comunidade brasileira para oferecer orientações de segurança. As demais embaixadas na região também estão acompanhando os acontecimentos, com foco nos cidadãos brasileiros nos países impactados. O ministério aconselhou que os brasileiros sigam as instruções das autoridades locais.

Ataques após retomada das negociações

De acordo com informações da agência de notícias Reuters, Israel lançou o ataque no início da manhã de 28 de fevereiro, decretando estado de emergência “especial e imediato” em seu território. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a realização de “grandes operações de combate” no Irã, justificando a ação como necessária para “eliminar ameaças iminentes do regime iraniano” e proteger o povo americano. O Pentágono chamou a ofensiva de “Operação Fúria Épica”.

A ação militar ocorreu apenas dois dias após o reinício das negociações entre Irã e Estados Unidos, em Genebra, na quinta-feira (26 de fevereiro). O objetivo do diálogo era encontrar uma solução diplomática para a controvérsia em torno do programa nuclear iraniano, que suspeitas ocidentais de ter propósitos militares, uma acusação que Teerã nega.

Medo e pânico entre a população civil

Os ataques causaram pânico entre os iranianos. Testemunhas relataram longas filas em postos de gasolina, dificuldades para sacar dinheiro e um movimento de fuga das grandes cidades. Explosões foram ouvidas em Teerã, Tabriz e Isfahan. A principal autoridade de segurança do Irã instruiu a população a se deslocar para outras cidades, e escolas e universidades foram fechadas por tempo indeterminado.

“Estamos com medo, estamos apavorados. Meus filhos estão tremendo, não temos para onde ir, vamos morrer aqui. O que vai acontecer com meus filhos?”, disse Minou, mãe de dois filhos na cidade de Tabriz, em um depoimento por telefone à Reuters.

As reações da população foram diversas. Um morador da cidade de Yazd expressou a esperança de que os bombardeios derrubem o regime clerical. Por outro lado, Samira Mohebbi, de Rasht, afirmou ser contra o regime, mas também ser contra a intervenção estrangeira. “Não quero que meu Irã se torne como o Iraque”, afirmou.