Recebimento de alertas de doença do sono dispara em Brasília

Por Maria Silva

O número de casos de distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (Dort) atingiu um patamar alarmante no Distrito Federal, chamando a atenção para as condições de saúde dos trabalhadores. Segundo dados da Secretaria de Saúde local, divulgados em comemoração ao Dia Mundial de Combate ao Dort, que ocorreu no último sábado (28/Fev), houve um aumento significativo de 62 casos em 2022 para 1.694 em 2025. Esse crescimento expressivo está diretamente ligado à repetição de movimentos e à falta de ergonomia nos ambientes de trabalho, resultando em dores crônicas e debilitantes.

O crescimento no número de casos de Dort no DF foi exponencial nos últimos quatro anos. De acordo com os registros da Secretaria de Saúde, o número de notificações subiu de 62 em 2022 para 699 no ano seguinte. Em 2024, os diagnósticos continuaram aumentando, chegando a 1.235, e alcançaram o pico de 1.694 ocorrências em 2025, o maior já registrado na capital federal.

Quem está em risco

O distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho, também conhecido como lesão por esforço repetitivo (LER), afeta diretamente músculos, tendões, articulações e nervos. Essa condição é majoritariamente causada pela repetição contínua de movimentos, muitas vezes combinada com posturas inadequadas e falta de ergonomia no local de trabalho.

Os sintomas mais comuns incluem dor persistente, formigamento, dormência e sensação de peso. Além disso, rigidez, perda de força em membros como mãos e punhos, e inchaço e inflamação também são sinais de alerta para o desenvolvimento da condição.

Ronara Mangaravite, fisioterapeuta do Hospital de Base do Distrito Federal, explica que os trabalhadores em funções administrativas ou que passam longos períodos na mesma posição são os mais vulneráveis. “As regiões do pescoço, costas e membros superiores já estão naturalmente tensionadas para sustentar a cabeça e a coluna. Quando essa tensão se combina com a falta de ergonomia, o risco de desenvolver Dort aumenta”, afirma a especialista.

Prevenção e tratamento

A prevenção do Dort pode ser alcançada por meio de medidas simples incorporadas à rotina. A prática regular de atividades físicas, a realização de pausas estratégicas durante o expediente e ajustes ergonômicos na altura de cadeiras, mesas e monitores são cruciais. Manter apoio adequado para braços e costas também é fundamental.

“Se a pessoa passa 12 horas sentada na mesma posição, na frente de um computador, muitas vezes ela nem percebe que está inadequada. Essa repetição diária, ao longo de meses, pode lesionar qualquer pessoa”, disse Ronara Mangaravite.

Quando não tratado, o Dort pode evoluir para quadros mais graves, como tendinites, rupturas musculares e dores crônicas. O tratamento geralmente envolve o uso de medicamentos, sessões de fisioterapia e exercícios de fortalecimento muscular. Em casos mais severos, pode ser necessária intervenção cirúrgica.

“O papel da fisioterapia é devolver a função para a pessoa e dar condições de trabalhar. Vamos desinflamar, alongar, fazer correções. Mas esse processo precisa ser associado a exercícios contínuos. Se a repetição voltar sem preparo, o Dort pode reaparecer”, explica Ronara Mangaravite.

Impacto na vida do trabalhador

Rosiane Matos de Sousa, recepcionista diagnosticada com Dort há quatro meses, descreve a dor como “debilitante”. Ela passa a maior parte do dia em frente a um computador e compara a intensidade do sofrimento ao de um parto. “Eu tive três filhos de parto normal e essas dores são como se eu tivesse tido outros três. Quando ataca, eu não consigo me mover”, relata.

Para Rosiane, a fisioterapia tem sido fundamental para aliviar as crises. No entanto, ao retornar à rotina de trabalho, as dores frequentemente retornam. “É o que mais me ajuda. Sempre saio das sessões muito bem, mas quando volto a trabalhar, as dores reaparecem”, desabafa. A orientação médica é buscar ajuda especializada ao primeiro sinal de sintomas persistentes para evitar o agravamento da condição.