Por Ana Silva
No dia 20 de agosto, pacientes e acompanhantes do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) participaram de uma ação para receber informações sobre a disfagia, uma condição que dificulta a ingestão de alimentos e líquidos. A iniciativa teve como objetivo aumentar a conscientização sobre os sintomas e os riscos associados a essa condição, que podem resultar em complicações graves se não forem diagnosticadas e tratadas adequadamente.
A disfagia pode ser causada por fatores mecânicos, como traumas ou cirurgias na região da laringe e da cavidade oral, ou por questões neurológicas. Embora possa afetar pessoas de todas as idades, ela é mais comum em idosos.
De acordo com a fonoaudióloga do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), Ana Patrícia Queiroz, a dificuldade de engolir também é comum em crianças com paralisia cerebral, síndromes, pacientes que tiveram um acidente vascular cerebral (AVC) e indivíduos em tratamento oncológico.
Sinais de alerta
A especialista ressalta a importância de buscar ajuda médica ao identificar engasgos frequentes, inclusive durante a noite, que podem ser confundidos com refluxo.
“Quem experimenta engasgos com frequência deve procurar avaliação médica, pois há risco de broncoaspiração, que ocorre quando alimentos entram nos pulmões. Outro risco são os engasgos noturnos, que muitas vezes são confundidos com refluxo e acontecem durante a apneia do sono. Geralmente são tosse seca, sensação de acidez na garganta e sensação de afogamento”, explica Ana Patrícia Queiroz.
Complicações
Em casos mais graves, a disfagia pode levar à obstrução das vias aéreas e a quadros de pneumonia decorrentes da aspiração de alimentos para os pulmões. No entanto, o tratamento é possível com acompanhamento especializado e exercícios de reabilitação.
“A reabilitação ajuda a melhorar a qualidade de vida e a tranquilidade do paciente. Ele pode não conseguir mais comer carnes de churrasco, por exemplo, mas poderá se alimentar com consistências mais seguras para a deglutição”, completa a especialista.
Falta de conhecimento entre pacientes
Durante o evento no HBDF, a paciente Eliene Morgado Bembem Alves, de 70 anos, que já teve experiências de engasgos frequentes, revelou que não conhecia a disfagia.
“Nunca tinha ouvido falar sobre isso. Achei muito interessante e vou pesquisar mais para decidir se busco ajuda profissional”, disse ela.
Quando buscar atendimento
A orientação para casos suspeitos de disfagia é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para uma primeira avaliação. Se necessário, o paciente será encaminhado para especialistas como gastroenterologistas, otorrinolaringologistas ou fonoaudiólogos.
