Mulheres são atendidas em grande mutirão com mais de 230 mil procedimentos realizados no fim de semana.

Por João Silva

Um grande esforço conjunto da área da saúde, envolvendo aproximadamente mil hospitais públicos e privados, resultou em mais de 230 mil procedimentos realizados neste último fim de semana, com foco especialmente no público feminino. Essa ação nacional aconteceu em todo o Brasil como parte do programa Agora Tem Especialistas, do governo federal, visando principalmente a redução das filas de espera por exames, consultas e cirurgias eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS).

No sábado, durante uma visita ao Hospital Universitário de Brasília (HUB), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a mobilização como um marco. Ele afirmou: “Estamos promovendo o maior mutirão da história do SUS, voltado exclusivamente para a saúde da mulher”. Estava previsto que a unidade de Brasília realizasse 800 atendimentos durante o evento.

Foram oferecidos diversos serviços, como exames de diagnóstico (tomografias, ressonâncias magnéticas, ultrassonografias), cirurgias ginecológicas (histerectomia, reconstrução mamária) e procedimentos gerais (tratamentos de catarata e varizes). A regulação das pacientes ficou sob responsabilidade das secretarias estaduais e municipais de saúde.

O ministro explicou: “As mulheres que estavam na espera por cirurgias foram convocadas pelas secretarias estaduais ou municipais de saúde para realizarem os exames necessários dentro do hospital, visando o procedimento. São aquelas que já estavam aguardando na fila”.

O programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025, tem como base incentivos como o aumento nos valores da tabela de pagamentos do SUS e a compensação de dívidas tributárias de hospitais privados por meio de atendimentos. De acordo com Padilha, essa política resultou em um recorde de 14,7 milhões de cirurgias eletivas em 2025, um aumento de 40% em comparação com 2022.

Fim da espera para pacientes

No aspecto preventivo, o mutirão realizou o implante de 3,8 mil unidades do Implanon, um método contraceptivo subdérmico de longa duração. Esse dispositivo, que pode ser caro na rede privada, é disponibilizado gratuitamente pelo SUS. Padilha ressaltou: “É uma forma de demonstrar que no mês de março, dedicado às mulheres, elas merecem não apenas presentes, mas também dignidade”.

Para muitas pacientes, essa mobilização representou o fim de uma longa espera. Roseane Cunha, empregada doméstica de 41 anos, esperava há quatro anos por um aparelho auditivo. Ela expressou: “Estou muito feliz hoje, pois finalmente recebi meu aparelho e estou conseguindo ouvir melhor, o que é muito gratificante”. Além do aparelho, ela também foi encaminhada para uma cirurgia.

No setor de oftalmologia, Cristina Pereira Gonçalves, roupeira de 42 anos, realizou exames, recebeu novos óculos e foi encaminhada para uma cirurgia de pterígio. Ela elogiou: “Realizei diversos exames, em várias etapas, foi um tratamento muito completo que não havia feito em clínicas anteriormente”.

O gerente de Atenção à Saúde do HUB, Rodolfo Lira, destacou o impacto positivo dessa iniciativa para o fortalecimento do sistema público de saúde, ampliando o acesso da população a atendimentos de qualidade e eficazes.

Ele afirmou: “Essa é uma iniciativa que fortalece o SUS ao unir esforços, integrar equipes multiprofissionais e otimizar a capacidade dos hospitais universitários em benefício direto da população”.