Por Kleber Karpov
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos alterou a acusação de que Nicolás Maduro lidera o Cartel de los Soles, em uma denúncia revisada divulgada após a captura do líder venezuelano no último sábado. A nova versão do processo, apresentada pelo governo de Donald Trump, deixa de lado a ideia de que o grupo é uma organização formal, descrevendo-o como um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção”, embora mantenha as acusações por narcotráfico.
O documento original, redigido em 2020, mencionava o “Cartel de los Soles” 32 vezes e apontava Maduro como seu líder. Já a versão revisada reduz as referências para apenas duas, retratando o termo como uma forma de corrupção alimentada por dinheiro do tráfico de drogas, em vez de uma estrutura de cartel real.
De acordo com o novo texto, os lucros do tráfico “fluem para funcionários civis, militares e de inteligência corruptos de baixo escalão, que operam em um sistema de clientelismo administrado por aqueles no topo – referido como Cartel de los Soles ou Cartel dos Sóis”. Essa mudança levanta dúvidas sobre a designação do grupo como organização terrorista, feita pelo governo Trump no ano anterior.
Apesar da modificação, a acusação de conspiração de tráfico de drogas contra Maduro ainda se mantém. O documento afirma que o líder venezuelano e seus colaboradores se associaram a traficantes e narcoterroristas para distribuir cocaína para os Estados Unidos.
Reações de especialistas
Especialistas em crime latino-americano e relatórios internacionais já haviam levantado questionamentos sobre a existência do Cartel de los Soles como uma entidade organizada. O termo, originado pela imprensa venezuelana nos anos 1990, não é citado na Avaliação Anual de Ameaça de Drogas da DEA nem no Relatório Mundial sobre Drogas da ONU.
Elizabeth Dickinson, diretora adjunta para a América Latina no International Crisis Group, afirmou que a nova descrição é “congruente com a realidade”, ao contrário da versão de 2020. “Designações não precisam ser comprovadas no tribunal, e essa é a diferença. Claramente, eles sabiam que não poderiam provar isso no tribunal”, disse Dickinson.
Em contraposição à nova denúncia, o secretário de Estado Marco Rubio, em entrevista no domingo, mencionou novamente o Cartel de los Soles como um cartel verdadeiro, afirmando que seu líder, Nicolás Maduro, está sob custódia dos EUA.
Maduro alega inocência
Em sua declaração, Maduro afirmou ser inocente e se autoproclamou como um “prisioneiro de guerra”. O governo de Caracas acusa Washington de fabricar as acusações para justificar uma intervenção militar e controlar as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo.
Em uma reunião na Organização dos Estados Americanos (OEA), o embaixador dos EUA, Leandro Rizzuto, ressaltou a importância estratégica do petróleo venezuelano para os interesses norte-americanos.
“Esta é nossa vizinhança, é onde vivemos. E não vamos permitir que a Venezuela se torne um centro de operações para o Irã, Rússia, Hezbollah, China e agências cubanas de inteligência que controlam o país. Não podemos continuar a ter a maior reserva de petróleo do mundo sob o controle de opositores do Hemisfério Ocidental”, afirmou o diplomata.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
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