Por Ana Silva
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta sexta-feira (09/01) que a maioria dos países membros da União Europeia (UE) aprovou o acordo de livre comércio com o Mercosul. Essa decisão histórica permite que a representante viaje ao Paraguai na próxima semana para ratificar o tratado com o bloco sul-americano. No entanto, para que o acordo entre em vigor, ainda é necessário que o texto seja votado no Parlamento Europeu.
Aliança para o progresso global
Apesar da oposição de países como França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda, o apoio do Conselho Europeu foi obtido por meio de maioria qualificada. Em um comunicado oficial, Von der Leyen enfatizou que o acordo reforça a Europa como uma parceira confiável em meio a incertezas econômicas e destacou que o pacto visa proteger os interesses de consumidores e empresas.
“A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica e representa um sinal poderoso. Estamos comprometidos em estimular o crescimento, criar empregos e assegurar os interesses dos consumidores e das empresas europeias”, afirmou Ursula von der Leyen.
Impacto econômico para o Brasil
No Brasil, a aprovação do acordo foi vista como uma oportunidade estratégica para a indústria de processamento. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) estima que o novo mercado, com mais de 700 milhões de habitantes, pode gerar um aumento de aproximadamente US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras anualmente. O Produto Interno Bruto (PIB) combinado dos dois blocos chega a US$ 22 trilhões.
O acordo prevê a redução imediata de tarifas para setores como máquinas, equipamentos de transporte, geradores elétricos e aviões. De acordo com Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, o tratado posiciona o Brasil de forma competitiva diante das principais economias do mundo, como os Estados Unidos e a China.
Inserção competitiva e negociação de commodities
Além dos bens industriais, o acordo também estipula a eliminação gradual de impostos sobre produtos químicos, couro, peles e pedras de cantaria. Setores de commodities também devem se beneficiar com a redução das tarifas, embora estejam sujeitos a um sistema de cotas para preservar o equilíbrio de mercado entre os blocos.
A liderança exercida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a presidência rotativa do Mercosul, que terminou em dezembro de 2025, foi citada pela Comissão Europeia como um fator crucial para o avanço das negociações. Com a presidência agora a cargo do Paraguai, a assinatura formal deve ocorrer em Assunção.
Ana Silva, Jornalista especializada em Economia
Mestranda em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduada em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduada em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas pela Universidade de São Paulo (USP); Experiência como assessora de Imprensa em diversos órgãos governamentais.
.fb-background-color {
background: #ededed !important;
}
.fb_iframe_widget_fluid_desktop iframe {
width: 100% !important;
}
