A intensificação dos ataques israelenses à infraestrutura hídrica do Líbano tem transformado o acesso à água em uma ferramenta de guerra. Especialistas consultados afirmam que essa agressão já resultou no deslocamento de mais de 1,2 milhão de pessoas, além de ameaçar a habitabilidade de vastas áreas no sul do país.
Bachir Ayoub, diretor da Oxfam no Líbano, frisou que a impunidade que Israel exerce em Gaza se estende para o território libanês. Segundo ele, civis inocentes estão pagando um alto preço pela destruição intencional das redes essenciais de abastecimento e saneamento.
Os bombardeios têm como alvo tanto as instalações essenciais quanto locais que estavam sendo reparados. Essa abordagem dificulta qualquer tentativa de restauração das redes hídricas no Líbano.
Os atuais confrontos começaram após o Hezbollah ter lançado foguetes contra Israel, quebrando um cessar-fogo informal que durava quinze meses. Em resposta, Israel intensificou seus bombardeios e ocupou várias aldeias no sul libanês.
As forças israelenses estabeleceram uma zona de segurança com profundidade de dez quilômetros dentro do território libanês. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que suas tropas permanecerão nessa área permanentemente.
Especialistas do Líbano argumentam que a verdadeira intenção por trás da destruição de poços, reservatórios e estações de bombeamento é dificultar o retorno dos deslocados. Essa estratégia visa solidificar o controle israelense na região fronteiriça.
Rami Zurayk, professor da Universidade Americana de Beirute, destacou que cada gota d’água desviada por Israel representa uma perda direta para a população local. Ele caracterizou essa utilização da água como um meio para forçar o deslocamento dos habitantes do sul do Líbano.
Desde 2023, pelo menos seis instalações hídricas foram severamente danificadas no Líbano. Nos primeiros quatro dias do atual conflito, sete fontes de abastecimento foram atingidas, afetando aproximadamente sete mil moradores na região do vale do Bekaa.
Cidades como Britel, Nabi Chit e Marjayoun estão entre as mais impactadas pela ofensiva israelense. Nadim Farajalla, engenheiro ambiental da Universidade Libanesa Americana, alertou que os ataques diretos e a destruição da infraestrutura elétrica paralisam os sistemas responsáveis pelo bombeamento e tratamento da água.
A escassez de água potável torna a sobrevivência nas regiões atingidas quase insustentável a longo prazo. Os especialistas concluem que os ataques têm como objetivo forçar um êxodo definitivo da população local.
Imad Chiri, coordenador do Comitê Internacional da Cruz Vermelha no Líbano, lembrou que o país já enfrentava uma grave crise hídrica antes do início do atual conflito. Uma pesquisa realizada pelo CICV em 2025 revelou que 91% das famílias no sul viviam com insegurança hídrica moderada ou alta.
Mais da metade dessas famílias estava em situação crítica, conforme apontado no relatório. A chegada de deslocados internos agrava ainda mais a pressão sobre os escassos recursos hídricos disponíveis.
Danos aparentemente pequenos na infraestrutura podem causar falhas em cadeia em todo o sistema hídrico. A população se encontra exposta a riscos elevados de doenças decorrentes da água contaminada.
Tadesse Kebebew, pesquisador do Geneva Water Hub, ressaltou as responsabilidades estipuladas pelo direito internacional humanitário. As partes envolvidas no conflito devem garantir a proteção dos recursos e das infraestruturas hídricas em todas as circunstâncias.
Israel ratificou a Convenção de Genebra em 1951, mas enfrenta acusações por desrespeitar essas normas tanto no Líbano quanto em Gaza. Organizações humanitárias têm documentado violações sistemáticas cometidas pelas forças israelenses.
Zurayk comparou os impactos da destruição hídrica ao uso de armas biológicas devido à forma como provoca doenças e eleva a mortalidade infantil. O professor classificou essa tática como uma forma indireta de guerra química contra civis.
Bachir Ayoub pediu à comunidade internacional uma intervenção imediata para conter essa escalada. Ele advertiu que o cenário devastador visto em Gaza não deve se repetir no Líbano.
Organizações humanitárias clamam pela responsabilização de Israel por suas violações ao direito internacional e pela ocupação das terras libanesas. Milhares de famílias continuam sem acesso à água potável enquanto enfrentam bombardeios constantes e condições sanitárias precárias.
Com informações sobre o tema.
Leia também: Israel ignora cessar-fogo e ataca civis no Líbano; mortos passam de 2.055
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