Os números oficiais referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) do México para 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (INEGI), evidenciam uma economia com riqueza concentrada em grandes empresas, enquanto o governo enfrenta desafios com a baixa arrecadação fiscal. A análise realizada pelo economista David Márquez Ayala em sua coluna no periódico mexicano La Jornada revela que o PIB totalizou 35.255 bilhões de pesos, registrando um crescimento real modesto de apenas 0,7% em comparação ao ano anterior.
A distribuição da renda mostra que o excedente bruto de operação — que representa o lucro das empresas antes da dedução dos impostos — alcançou 40,2%. Em contrapartida, as remunerações salariais corresponderam a 30,5%, e o ingresso misto bruto de empresas familiares ou individuais somou 21,8%. Os recursos do governo advindos de tributos sobre produção e importação foram apenas 7,7% do total, destacando a significativa ineficiência do sistema tributário mexicano.
As estimativas sugerem que se as grandes corporações tivessem honrado o Imposto sobre a Renda (ISR) de 30% sobre lucros que totalizam 14,178 bilhões de pesos, a arrecadação poderia ter atingido 4,253 bilhões de pesos, representando cerca de 12,1% do PIB. Contudo, a captação efetiva foi inferior, correspondendo apenas a 3,7% do PIB conforme dados de 2024 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mencionados na análise.
Caso se considerasse a taxa estimada de 10% sobre os ganhos do ingresso misto bruto não recolhido pelas sociedades, o fisco poderia arrecadar ainda mais 769 bilhões de pesos, ou seja, aproximadamente 2,2% adicionais do PIB. Essa renúncia fiscal substancial resulta em um Estado subfinanciado e vulnerável à influência das corporações.
O levantamento realizado pelo INEGI também evidencia uma lenta tendência à redistribuição nos últimos dez anos: as remunerações salariais aumentaram de 24,7% do PIB em 2018 para os atuais 30,5%, enquanto as utilidades caíram de 47,8% para 40,2% nesse mesmo período. Apesar desse avanço, o setor privado investe menos da metade desses ganhos no país e prefere enviar grandes quantias de recursos para fora.
Márquez Ayala expressa sua preocupação com a decisão governamental em permitir a venda do Banamex, considerando essa movimentação uma oportunidade perdida para direcionar a poupança pública para investimentos produtivos. No tocante ao uso dos recursos do PIB, destaca-se que o consumo final consome impressionantes 82%, enquanto a formação bruta de capital fixo atinge apenas 22,4%, número que representa dois terços do mínimo necessário para garantir um desenvolvimento sustentável.
A dependência externa aumentou ao longo dos últimos quarenta anos devido à abertura neoliberal iniciada com o GATT e consolidada por acordos como o TLCAN e T-MEC. Assim, a participação das exportações no PIB cresceu de 28,9% em 2010 para 39,4% em 2025. As importações também tiveram um aumento significativo: passaram de 30,1% para 40,1% no mesmo intervalo. O estudo aponta que reverter essa situação é inviável sem mudanças profundas na política econômica — transformações que os tratados comerciais vigentes atualmente dificultam.
O diagnóstico elaborado pelo INEGI e detalhado pelo economista no La Jornada aponta para uma necessidade urgente de reforma fiscal no México. Tal reforma deve focar na redução da evasão fiscal por parte das grandes empresas, aumentar a capacidade financeira do Estado para investir e diminuir a dependência estrutural externa. Para se alcançar uma verdadeira soberania econômica é imprescindível romper com um modelo que prioriza a acumulação privada em detrimento do progresso nacional.
