O atleta canadense Boady Santavy, com duas participações olímpicas no currículo, enfrentou o desafio de levantar 183 quilos sob a intensa temperatura do deserto de Nevada. No entanto, na hora crucial, seus músculos, que mais pareciam saídos de um filme de super-herói, não suportaram e a barra despencou, provocando uma reação inesperada do competidor.
Ele foi um dos 42 participantes que chegaram a Las Vegas para os Enhanced Games, evento conhecido como as Olimpíadas dos Esteroides. Este torneio trouxe uma nova perspectiva sobre o doping, promovendo uma abordagem sem precedentes em termos de transparência. Durante um período de 12 semanas nos Emirados Árabes Unidos, substâncias como anabolizantes, testosterona e hormônios de crescimento foram utilizadas sob rigorosa supervisão médica.
Por trás desse espetáculo esportivo, existe um robusto motor financeiro vinculado ao universo das startups do Vale do Silício. Os Enhanced Games funcionam como uma vitrine para a Enhanced Group, Inc., empresa que recentemente se tornou pública com uma avaliação estimada em 1,2 bilhão de dólares. A organização oferece tratamentos personalizados voltados para o aprimoramento humano, incluindo injeções de testosterona e produtos para emagrecimento.
Os atletas recebem compensação apenas por participarem do evento. Além disso, aqueles que alcançarem recordes mundiais ou conquistarem o primeiro lugar têm a oportunidade de ganhar prêmios que podem chegar até 1 milhão de dólares. Os organizadores defendem que o esporte tradicional já é permeado por práticas clandestinas de doping e que a supervisão médica aberta minimiza os riscos à saúde dos envolvidos.
A estratégia comercial da empresa vai além do evento realizado no deserto. A Enhanced Group estabeleceu uma parceria com a Rezolve Ai para desenvolver uma plataforma digital focada em telessaúde. O público-alvo inclui cerca de 85 milhões de consumidores nos Estados Unidos que utilizam substâncias não regulamentadas. Um dos próximos objetivos é a possível aprovação pela FDA de certos peptídeos prevista para julho.
O uso de peptídeos tem ganhado força no Vale do Silício. Startups como Superpower e Noho Labs disponibilizam versões já aprovadas pela FDA dessas substâncias. Em círculos sociais exclusivos, festas de injeção coletiva têm sido organizadas, transformando essa prática pessoal em um símbolo de inclusão entre os magnatas da tecnologia.
A conversa sobre o tema é amplificada por influenciadores digitais como Joe Rogan e Andrew Huberman. Para alguns críticos, o que está sendo promovido como saúde é na verdade uma forma lucrativa de vaidade. A escolha por Las Vegas como palco do evento reforça essa visão hedonista.
No ambiente do estádio, a atmosfera era uma mistura vibrante entre competição e entretenimento. O biohacker Bryan Johnson, notório por sua busca pela imortalidade, fez sua aparição vestido de maneira peculiar enquanto comentava as provas. Momentos emocionantes ocorreram durante o evento, incluindo a quebra do recorde mundial nos 50 metros livre pelo nadador grego Kristian Gkolomeev.
Outro destaque foi Hafthor Bjornsson, famoso por seu papel como “Montanha” na série Game of Thrones, que tentou realizar um levantamento terra pesado de 515 quilos mas não conseguiu concluir o movimento, decepcionando seus fãs. Por outro lado, o nadador Hunter Armstrong optou por não seguir qualquer protocolo químico e participou apenas visando o prêmio monetário e preservando sua elegibilidade nas Olimpíadas.
À meia-noite, Maximilian Martin, CEO da Enhanced Group, ajustava seu terno ao se preparar para encerrar a noite. O evento consolidou ainda mais a posição da empresa como líder em um mercado bilionário onde saúde e desempenho se misturam aos negócios.
Para mais informações sobre este assunto acesse techcrunch.com.
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