No dia 20 de abril, um robô táxi da Waymo, que faz parte do grupo Alphabet — responsável pelo Google — foi levado pela correnteza do Salado Creek em San Antonio, Texas. O veículo não tinha ocupantes e não houve feridos, mas o carro precisou ser recuperado do rio alguns dias após o ocorrido.
Esse incidente resultou em um recall voluntário por parte da empresa, que foi protocolado junto à Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos EUA (NHTSA) em 30 de abril, dez dias depois do evento. O recall abrange uma frota de 3.791 veículos autônomos operando em seis cidades nos Estados Unidos.
Conforme relatórios da NHTSA e informações divulgadas pelo portal Electrek, o robô táxi se deparou com uma parte da estrada inundada e, ao invés de contornar a situação, avançou lentamente até ser arrastado pela água. Vale destacar que um outro episódio semelhante já havia ocorrido em San Antonio duas semanas antes.
Em resposta a essa situação crítica, a Waymo decidiu suspender todas as suas operações na cidade, marcando a paralisação mais extensa registrada até então. A companhia revisou seus procedimentos relacionados ao monitoramento das condições climáticas e à segurança operacional antes de retomar os serviços.
Um aspecto importante do recall é que as correções necessárias não exigirão que os veículos sejam levados a centros de atendimento. As atualizações serão feitas remotamente via software — conhecido como OTA (over-the-air), assim como ocorre com smartphones quando recebem atualizações.
A Waymo já implementou medidas operacionais temporárias enquanto trabalha em uma solução definitiva. Isso inclui revisões nos mapas utilizados pelos veículos e novos limites para condições climáticas severas. A empresa expressou seu comprometimento em adicionar novas salvaguardas de software para lidar melhor com situações climáticas extremas e restringir o acesso a áreas propensas a inundações repentinas.
Este não é o primeiro caso em que a empresa adota esse modelo de recall. No final de 2025, após relatos de veículos da Waymo ultrapassando ilegalmente ônibus escolares parados em cidades como Austin e Atlanta, a companhia também realizou um recall voluntário e lançou uma atualização OTA para sua frota rapidamente. O procedimento se repete: identificar o problema, interromper as operações e corrigir remotamente.
O recall também trouxe à tona um dado significativo sobre o crescimento da Waymo. A frota afetada de 3.791 veículos indica uma expansão rápida — a empresa havia anunciado publicamente ter ultrapassado a marca de 2.000 veículos apenas em setembro de 2025, sugerindo que seu número quase dobrou em cerca de oito meses. Esse crescimento está alinhado com uma captação bilionária anunciada no início de 2026, onde a companhia arrecadou US$ 16 bilhões, avaliando-a em US$ 126 bilhões.
No momento, a Waymo realiza cerca de 500 mil corridas pagas semanalmente em dez cidades e tem como objetivo alcançar 1 milhão até o final do ano. Contudo, o incidente em San Antonio destaca um desafio significativo para os veículos autônomos: a imprevisibilidade das condições climáticas. Enquanto motoristas humanos costumam reconhecer estradas alagadas e desviar delas, o sistema da Waymo falhou duas vezes na mesma cidade dentro de um intervalo curto — e a temporada de tempestades no sul dos EUA apenas começou.
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