No próximo mês de setembro, Brasil e Rússia irão estabelecer um memorando de entendimento que visa intensificar a colaboração na área nuclear, com ênfase em licenciamento, regulação e inovação tecnológica. A assinatura do acordo ocorrerá durante a Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), realizada na Áustria.
Essa informação foi revelada por Alessandro Facure, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), durante a abertura do evento Nuclear Communication Experience 2026, que acontece no Rio de Janeiro. Facure destacou que a iniciativa permitirá ao Brasil aprofundar seu conhecimento sobre os processos regulatórios da Rússia, enquanto compartilha sua experiência em licenciamento com o país europeu. Esse intercâmbio é visto como uma oportunidade para a ANSN aprimorar suas normas, especialmente no que diz respeito a tecnologias emergentes ainda pouco regulamentadas no Brasil, como pequenos reatores modulares (SMRs), protonterapia oncológica e atividades mineradoras vinculadas ao setor nuclear.
Além disso, Facure sublinhou a importância de expandir o quadro de servidores e fiscais da ANSN para acompanhar o aumento das aplicações nucleares no Brasil. Ele alertou que essa necessidade se tornará cada vez mais evidente à medida que a parceria com a Rússia evoluir para novas abordagens técnicas.
A Petrobras também está atenta a essas mudanças. Durante o mesmo evento, Wagner Victer, gerente executivo de Projetos Estruturantes da estatal, afirmou que a empresa precisa monitorar de perto as inovações no setor nuclear, especialmente em resposta à crescente demanda por energia devido à expansão dos data centers. Victer enfatizou que qualquer ação da Petrobras nesse sentido estará condicionada ao alinhamento com o plano estratégico previamente apresentado aos investidores da companhia.
