Um documento da Polícia Federal aponta ACM Neto, candidato do União Brasil ao governo da Bahia, como líder de uma organização criminosa que supostamente se beneficiou de recursos públicos através de contratos superfaturados. A informação foi divulgada nesta terça-feira (30) por um veículo de comunicação. Esta investigação, inserida na Operação Overclean, já foi relatada anteriormente e começou a ser acompanhada desde janeiro de 2025. O grupo é ligado ao empresário Marcos Moura, conhecido como o “Rei do Lixo”, que é considerado um dos chefes do esquema.
Um relatório confidencial elaborado pela PF em novembro do ano passado revelou que foram encontrados 232 intercâmbios de mensagens entre ACM Neto e Marcos Moura no celular deste último, ocorridos entre agosto e dezembro de 2024. Os investigadores chegaram a uma conclusão clara: “Após a análise de todas as evidências coletadas durante as oito fases da Operação Overclean, é possível afirmar que ACM Neto atua como líder da organização criminosa dedicada à obtenção de recursos públicos por meio de contratos superfaturados.” Marcos Moura e mais 24 indivíduos já enfrentam acusações, em um esquema que movimentou aproximadamente R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos relacionados a emendas parlamentares.
O relatório também indica que a organização alterou seu foco após o término do mandato de ACM Neto na Prefeitura de Salvador em 2020: “Após o encerramento do mandato em Salvador e a partir de 2024, o grupo ampliou suas atividades para Belo Horizonte, colocando seus membros em posições estratégicas na administração municipal.” As suspeitas envolvem contratos da Secretaria Municipal de Educação da capital mineira entre abril de 2024 e abril de 2025, com integrantes da organização supostamente prontos para direcionar licitações a pelo menos seis empresas fornecedoras. Além disso, há indícios de “movimentações financeiras incomuns” envolvendo dinheiro transportado em malas por aviões fretados.
O procurador-geral Paulo Gonet, mencionado anteriormente em outras investigações relacionadas ao caso Master, posicionou-se favoravelmente às solicitações feitas pela PF em um parecer enviado ao ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Conforme o relato, Gonet considerou as evidências robustas quanto à materialidade dos fatos e à possível participação dos envolvidos. Ele argumentou que uma nova fase da operação poderia ajudar a coletar documentos e mídias relevantes, sugerindo que o grupo continuava ativo mesmo após as etapas anteriores da Overclean.
<pCom base nesse parecer, a Polícia Federal solicitou ao STF autorização para realizar buscas e apreensões contra ACM Neto e bloquear até R$ 77,8 milhões em bens associados a três contratos investigados. Contudo, Nunes Marques negou essas medidas diretamente contra o candidato, embora tenha permitido ações mais incisivas contra seus assessores e auxiliares com o intuito de coletar provas que possam confirmar ou refutar as alegações. Isso significa que a decisão judicial não validou a conclusão da PF sobre a liderança de ACM Neto por considerar que as provas reunidas não eram suficientes para justificar ações diretas contra ele.
A assessoria de imprensa de ACM Neto repudiou as alegações em um comunicado oficial, caracterizando-as como uma “tentativa de interferir nas eleições por meio da criação e divulgação de informações enganosas”. Eles atribuíram os vazamentos à intenção deliberada de vincular o candidato a situações das quais ele não teria participado: “Isso representa uma nova manobra para influenciar o pleito estadual na Bahia.”
Este desenvolvimento acontece em um momento crítico na corrida eleitoral baiana. Recentes pesquisas mostram ACM Neto variando entre estar tecnicamente empatado ou tendo uma vantagem confortável sobre o governador Jerônimo Rodrigues (PT), dependendo do instituto responsável pela pesquisa. Além disso, há outra investigação mencionada anteriormente que envolve delações apontando ACM Neto como suposto sócio oculto do Banco Master junto ao governador mineiro Romeu Zema. Ambas as investigações são independentes mas acabam convergindo para o mesmo nome nos dias que antecedem o primeiro turno das eleições.
