União Europeia busca apoio do Reino Unido, Canadá e Japão para preencher lacuna de 70 bilhões de euros na Ucrânia

A União Europeia está instando países aliados, como Reino Unido, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Noruega, a contribuir com um montante de 70 bilhões de euros (aproximadamente R$ 434 bilhões) para o financiamento da Ucrânia até 2027. O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, projetou que os custos totais da guerra para o próximo ano alcançarão 155 bilhões de euros (cerca de R$ 961 bilhões).

O pedido foi apresentado na quarta-feira, dia 21, em Estrasburgo. Durante a sessão, António Costa, presidente do Conselho Europeu, comunicou aos eurodeputados que os governos da União Europeia já são responsáveis por 80% da assistência externa destinada a Kiev. Ele enfatizou que “os parceiros internacionais precisam intensificar seus esforços”. “Nosso compromisso com a paz deve ser acompanhado por uma pressão contínua sobre o agressor”, acentuou.

No mesmo evento, Ursula von der Leyen, presidenta da Comissão Europeia, comentou: “A decisão sobre a guerra não será tomada no campo de batalha; ela depende da nossa determinação política”.

A lacuna nos financiamentos surge porque um empréstimo já aprovado pelo bloco no valor de 90 bilhões de euros (cerca de R$ 558 bilhões) atende apenas dois terços das necessidades ucranianas para 2026 e 2027. O restante deveria ser assegurado por outros aliados, mas até o momento apenas os recursos para 2026 foram garantidos. Costa informou que neste ano foram liberados 16 bilhões de euros na área de defesa e que mais 17 bilhões poderão ser encaminhados caso a Ucrânia implemente reformas contra a corrupção.

Na segunda-feira, dia 19 de outubro de 2026, o comissário Maroš Šefčovič sinalizou que o Reino Unido será solicitado a aumentar sua contribuição antes da cúpula entre a União Europeia e o Reino Unido prevista para o dia 20 de novembro. Ele ressaltou que o acordo de contribuição assinado no dia 13 de julho de 2026 já abre espaço para a participação britânica no empréstimo mencionado.

Enquanto Bruxelas busca soluções financeiras, a guerra atinge a marca dos 1.700 dias com combates intensos em Dobropillia, localizada no leste da Ucrânia. As forças russas tentam contornar a região entre Sloviansk e Kramatorsk pela parte sul após falharem em um ataque direto pelo leste, concentrando suas tropas ao nordeste de Pokrovsk. Imagens aéreas divulgadas recentemente revelam a devastação em Dobropillia e mostram soldados russos mortos entre Rodynske e essa mesma cidade.

A resposta dos países convocados deve começar a se delinear durante a cúpula com o Reino Unido no dia 20 de novembro, representando um teste crucial para avaliar a capacidade europeia em dividir parte do fardo do esforço bélico para 2027.