Por Kleber Karpov
Uma pesquisa recente realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados revelou que 73% dos brasileiros estão a favor do fim da escala de trabalho 6×1, desde que não haja redução salarial. Esse dado é crucial, já que propostas nesse sentido estão em discussão no Congresso Nacional.
O levantamento, que consultou 2.021 cidadãos maiores de 16 anos em todas as unidades da Federação, aponta para um forte desejo por melhores condições de trabalho. A maioria esmagadora, cerca de 84% dos entrevistados, defende que os trabalhadores tenham pelo menos dois dias de descanso por semana.
Apesar do apoio significativo, o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, ressaltou que ainda há um conhecimento parcial sobre as propostas em debate no governo e no Congresso. Ele enfatizou que muitas pessoas sequer ouviram falar do assunto. Enquanto aqueles que conhecem, estão divididos entre entender bem ou apenas mais ou menos.
Quando a questão salarial é levantada, a adesão à proposta de fim da escala 6×1 diminui consideravelmente. Apenas 28% dos entrevistados continuariam apoiando a medida caso houvesse redução de salário. Este é o ponto central do dilema, já que as empresas defendem a manutenção da jornada de trabalho sem redução salarial, enquanto os trabalhadores são contrários a essa redução.
A pesquisa também apontou um maior apoio ao projeto entre os eleitores do presidente Lula, com 71% a favor, em comparação com 53% entre os que votaram em Bolsonaro nas últimas eleições.
Tramitação no Congresso
Atualmente, duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) estão em discussão na Câmara dos Deputados. Uma delas, a PEC 8/25, de autoria da deputada Erika Hilton, propõe o término da escala 6×1 e limita a jornada de trabalho a 36 horas semanais. A previsão é que a nova jornada entre em vigor um ano após sua publicação.
O presidente da Câmara, Hugo Motta, encaminhou a PEC 8/25 para a Comissão de Constituição e Justiça para análise de admissibilidade. Motta apensou a essa proposta uma outra, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, que também reduz a jornada para 36 horas semanais, mas com entrada em vigor prevista para 10 anos após a publicação.
Hugo Motta ressaltou a importância do tema e a expectativa de votação, afirmando que é essencial acompanhar os avanços do mundo moderno e garantir que o Brasil não fique para trás.
Implementação gradual
Outra proposta em análise, a PEC 148/2015, já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguarda votação no plenário. Caso seja aprovada, a redução da escala 6×1 ocorrerá de forma gradual, com o aumento dos dias de descanso semanais e a diminuição da jornada máxima.
O ponto sensível da discussão é a redução salarial, que ainda está em aberto e causa incerteza na população. A pesquisa revela que a maioria acredita na aprovação da proposta, mas a resistência à redução de salário ainda é alta.
Marcelo Tokarski ponderou sobre a dificuldade de aceitação dessa medida, destacando que no Brasil, com baixa renda média e trabalho precário, poucas pessoas estão dispostas a abrir mão de salário em troca de mais tempo de descanso.
