DF aposta em tecnologia para combater sensação de insegurança e registrar queda nos índices criminais

Projeto Cidade + Segura entrega diagnósticos para orientar políticas públicas com base em dados e percepção da população

Por Renata Lima

A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) recebeu, na última semana, os relatórios finais do projeto Cidade + Segura, uma iniciativa para combater a sensação de insegurança da população, apesar das quedas recordes nos índices de criminalidade. A entrega do estudo ocorreu após o DF registrar em fevereiro de 2026 o menor número de homicídios desde 1977. Desenvolvido ao longo de dois anos em parceria com a FAPDF, a Finatec e a UnB, o projeto visa aprofundar o diagnóstico sobre o medo do crime e orientar ações governamentais com base em evidências.

O objetivo principal do projeto foi entender por que a população se sente insegura mesmo diante da redução consistente dos indicadores criminais. A iniciativa incluiu diagnósticos, pesquisas de campo e grupos focais para mapear os fatores que influenciam a percepção de segurança dos cidadãos no cotidiano.

O secretário de Segurança Pública do DF, Sandro Avelar, destacou que os dados estatísticos positivos não são suficientes e salientou a importância de os moradores se sentirem seguros em suas rotinas.

“O Distrito Federal tem alcançado resultados históricos na redução da criminalidade, como demonstram os dados mais recentes. Mas segurança pública não se mede apenas por números. É fundamental que a população se sinta segura no seu dia a dia. Esse projeto nos permite compreender melhor essa percepção e agir de forma mais precisa, com políticas públicas orientadas por evidências e focadas na realidade das pessoas”

Sandro Avelar
Secretário de Segurança Pública do DF.

A pesquisa foi coordenada pelo Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da UnB (Nevis), sob a liderança do professor Arthur Trindade Maranhão Costa. Ele ressaltou a importância do material para subsidiar as próximas estratégias da pasta.

“Diminuir a sensação de insegurança é um dos principais desafios do Distrito Federal. A pesquisa que realizamos, a pedido da SSP-DF, buscou levantar informações e dados que subsidiam políticas públicas voltadas para o tema”, disse o professor Arthur Trindade Maranhão Costa.

Resultados

Foram entregues quatro relatórios: um diagnóstico distrital sobre o medo do crime, um planejamento estratégico e dois estudos específicos sobre o Setor Comercial Sul (SCS) e o sistema de transporte coletivo. Os documentos revelaram que fatores como desordens urbanas, iluminação precária e infraestrutura inadequada impactam diretamente na percepção de insegurança.

Com base nos resultados, o projeto elaborou recomendações concretas. Para o SCS, o estudo oferece subsídios para ações já em andamento, como a ampliação do videomonitoramento e a implantação da Unidade Integrada de Segurança Pública (Uisp). No transporte coletivo, o levantamento aponta melhorias em iluminação, vigilância e canais de denúncia como medidas para fortalecer a segurança.

Ciência aplicada à gestão pública

A iniciativa utilizou o conceito de Prevenção do Crime por Meio do Design Ambiental (CPTED), que analisa como o planejamento urbano pode reduzir vulnerabilidades. Isângelo Senna, membro da Comissão Técnica da SSP-DF, explicou que essa abordagem vai além do policiamento tradicional.

“Enfrentar esse desafio exige mais do que policiamento e estatística criminal: requer um diagnóstico qualificado, escuta da população e intervenções baseadas em evidências sobre os fatores que influenciam a percepção de segurança. Nesse contexto, a CPTED oferece uma contribuição importante ao mostrar como o ambiente urbano pode ser planejado, gerenciado e melhorado para reduzir as vulnerabilidades e fortalecer a sensação de segurança em uma perspectiva de segurança abrangente”, explicou o especialista.

O presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), Leonardo Reisman, enfatizou o papel da ciência como uma ferramenta para solucionar problemas complexos da sociedade.

“A FAPDF acredita na ciência como uma ferramenta concreta de transformação social. Os resultados deste projeto demonstram como o conhecimento gerado pela academia pode guiar decisões mais eficazes e contribuir diretamente para a melhoria da segurança pública no Distrito Federal. Ao investirmos em pesquisa aplicada, estamos investindo em soluções práticas para os problemas complexos da sociedade”, destacou o presidente da FAPDF, Leonardo Reisman.

O projeto também estabelece uma base para a avaliação contínua das políticas públicas. Uma nova coleta de dados está programada para o segundo semestre de 2026, o que permitirá a comparação entre os cenários antes e depois das intervenções, bem como a medição do impacto das ações implementadas.


Renata Lima, Jornalista

 

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