Pesquisadores brasileiros recebem prêmio por estudos inovadores sobre a doença de Alzheimer

Por Ana Silva

Dois cientistas brasileiros foram recentemente reconhecidos internacionalmente pelas suas pesquisas sobre a doença de Alzheimer. Mychael Lourenço, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por suas contribuições no avanço do diagnóstico precoce e na busca por métodos de prevenção para essa condição que ainda não possui cura.

A doença de Alzheimer representa um dos maiores desafios da área médica nos dias atuais. Os sintomas evoluem desde a perda de memória recente até dificuldades cognitivas, de comunicação e de mobilidade, resultando na total dependência do paciente. Atualmente, existem poucos tratamentos capazes de retardar a progressão da doença.

Mychael Lourenço, professor da UFRJ e fundador do Lourenço Lab, recebeu o prêmio ALBA-Roche para Excelência em Pesquisa de Neurociência. Ele tem se dedicado ao estudo da doença desde a graduação e destaca a importância de dados locais para compreender a situação da população brasileira em relação ao Alzheimer.

O laboratório liderado por Lourenço investiga a vulnerabilidade do cérebro à doença, assim como os motivos que levam algumas pessoas a não desenvolverem sintomas, mesmo apresentando placas de beta-amiloide, que são fragmentos de proteína associados ao Alzheimer desde sua descoberta em 1906.

Um dos focos da pesquisa de Lourenço está na identificação de marcadores biológicos no sangue que permitam um diagnóstico precoce da doença, antes que os danos cerebrais se tornem irreversíveis.

Wagner Brum, médico e pesquisador da UFRGS e do Zimmer Lab, também foi reconhecido por seu trabalho nesse campo. Ele desenvolveu protocolos para implementação clínica de um exame de sangue capaz de diagnosticar o Alzheimer a partir da proteína p-tau217.

O objetivo do Zimmer Lab é viabilizar a introdução desse exame no Sistema Único de Saúde (SUS), tendo em vista que atualmente o diagnóstico da doença depende principalmente da análise clínica e de exames de imagem que não são específicos para o Alzheimer.

Ao valorizar a importância da pesquisa brasileira, Wagner Brum ressaltou a necessidade de estudos que comprovem a eficácia desses exames no diagnóstico e tratamento dos pacientes.

Ambos os cientistas contam com o apoio de instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), a Fundação Serrapilheira e o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) em seus estudos sobre a doença de Alzheimer.