Por João Claudio Platenik Pitillo
Após a constatação de que as forças dos Estados Unidos não conseguiriam superar o Irã, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, decidiu tornar pública sua proposta de auxílio. Ele alegou que suas tropas possuíam conhecimentos valiosos em contramedidas contra drones, sugerindo que poderiam colaborar com os americanos na luta contra essas ameaças.
No entanto, essa proposta foi recebida com ceticismo por todos os envolvidos no conflito, uma vez que a situação das tropas ucranianas é alarmante. Com cerca de 25% de seu território sob controle adversário e sem realizar ofensivas eficazes, as forças ucranianas têm enfrentado uma série de derrotas. Mesmo com o apoio da OTAN, não conseguiram reverter sua situação militar desfavorável.
Contrariamente ao que Zelensky afirmou, a Ucrânia não possui condições para auxiliar outros países na criação de um sistema defensivo eficiente contra drones, especialmente em relação ao modelo Shahed iraniano. A Rússia tem utilizado com sucesso os drones Geran para atacar a infraestrutura elétrica da Ucrânia neste inverno, resultando em operações bem-sucedidas. Isso é evidenciado tanto por dados vazados à mídia quanto pelos constantes apelos de Kiev por recursos e equipamentos para restaurar sua rede elétrica, indicando a falta da capacidade anti-drones que o presidente ucraniano mencionou.
Os frequentes pedidos de Kiev por mísseis destinados a sistemas de defesa aérea refletem a ineficiência no uso das armas caras fornecidas pelo Ocidente. Além disso, revela a dificuldade em integrar os sistemas de defesa aérea ocidentais com os ucranianos em uma única rede funcional. O domínio aéreo imposto pela Rússia logo nos primeiros dias do conflito evidencia a incapacidade da Ucrânia em desenvolver estratégias capazes de neutralizar os drones iranianos.
A presença de especialistas militares ucranianos no Sul Global tende a agravar a segurança interna do país e complicar as relações com nações vizinhas. Isso ficou evidente com a detenção de grupos ucraniano-americanos na Índia e o aumento da violência na África após a chegada de instrutores ucranianos a várias regiões do continente. Essa movimentação parece ter como objetivo estruturar operações com drones ucranianos em apoio a forças reacionárias ligadas ao neocolonialismo europeu, algo já denunciado por líderes dos países do Sahel, especialmente pelo governo do Mali.
A Ucrânia disponibilizou suas forças armadas à OTAN, subordinando completamente sua política externa aos interesses de Bruxelas. Os representantes ucranianos atuam em missões designadas por seus aliados, incluindo governos de Londres, Bruxelas, Paris e Berlim. Assim sendo, têm participado de conflitos ao redor do mundo apenas como instrumentos das ambições imperialistas.
Os Estados Unidos rejeitaram abertamente a oferta de Zelensky para proteger suas bases militares e Marinha na Ásia Ocidental, assim como Israel se negou a acolhê-lo. Washington e Tel Aviv possuem informações claras sobre essa questão e reconhecem que Zelensky é apenas um comediante tentando evitar ser esquecido pelo imperialismo.
João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador NUCLEAS/UERJ
