A recente pesquisa Genial/Quaest revela que a economia começa a favorecer Lula novamente, embora de maneira lenta e com limites perceptíveis para os eleitores.
Divulgado nesta quarta-feira, o estudo aponta avanços em três áreas cruciais para a administração pública: avaliação da gestão, percepção do estado do país e expectativas futuras. A aprovação do presidente Lula aumentou de 43% para 46%, enquanto a desaprovação teve uma queda de 52% para 49%.
A avaliação positiva da gestão também registrou crescimento. O índice de pessoas que consideram o governo Lula positivo subiu de 31% para 34%. Em contrapartida, aqueles que veem a administração de forma negativa reduziram de 42% para 39%. Embora essa modificação seja sutil em números absolutos, possui relevância política ao interromper um ciclo de desgaste e iniciar uma fase de recuperação para o governo.
Um dos dados mais significativos diz respeito à percepção sobre o futuro econômico. De acordo com a Quaest, 40% dos brasileiros acreditam que a economia melhorará nos próximos doze meses. A quantidade de pessoas que esperam uma piora na situação caiu de 32% para 27%, enquanto 28% acreditam que não haverá mudanças.
Esse movimento pode ajudar a explicar a recuperação política de Lula. Embora os eleitores ainda enfrentem dificuldades no presente, há uma diminuição do pessimismo em relação ao futuro. Em tempos eleitorais, essa confiança tende a influenciar bastante: governos ganham impulso quando os cidadãos creem que suas vidas podem melhorar.
A visão sobre os rumos do Brasil também sofreu alterações. O percentual daqueles que acreditam que o país está seguindo na direção correta cresceu de 34% para 38%, enquanto os que afirmam que está indo na direção errada caíram de 58% para 53%.
No setor do trabalho, observa-se uma leve melhoria, mas significativa. O número de brasileiros que relatam estar mais fácil conseguir um emprego subiu de 37% para 38%. Por outro lado, aqueles que acham mais difícil encontrá-lo diminuíram de 53% para 51%.
No entanto, a economia ainda não se recuperou completamente. Aproximadamente metade dos entrevistados (46%) acredita que a economia brasileira se deteriorou nos últimos doze meses. Outros 29% afirmam que ela permaneceu inalterada, enquanto apenas 22% consideram que houve melhora. Em abril, o percentual dos que viam piora era de 50%, indicando um alívio, mas sem uma reversão total da situação.
O principal desafio continua sendo o custo de vida. Para 69% da população, os preços dos alimentos aumentaram no último mês; somente 8% notaram queda nos preços e outros 21% disseram que as tarifas permaneceram estáveis.
O poder aquisitivo também permanece como um aspecto crítico. A pesquisa revela que 69% dos participantes afirmaram conseguir adquirir menos bens atualmente em comparação ao ano anterior. Apenas 11% relatam comprar mais e 19% dizem manter as mesmas compras.
Esse cenário é central na disputa política atual. Lula apresenta sinais positivos porque a economia deixou de ser vista tão negativamente por parte dos eleitores. Contudo, essa melhoria ainda não se traduz em uma sensação geral de alívio nas compras diárias, salários ou contas domésticas.
A renda reforça esse diagnóstico: segundo o levantamento, 33% dos entrevistados afirmaram não ter visto aumento em seus rendimentos no último ano; outros 25% indicaram um crescimento abaixo da inflação. Para 31%, os ganhos acompanharam o aumento das despesas e apenas 9% reportaram crescimento acima da inflação observada.
O governo busca enfrentar esse desafio por meio de políticas de crédito e renegociações financeiras. O programa Desenrola 2.0 foi bem recebido; metade da população considera sua implementação positiva por auxiliar endividados a saírem das dívidas, enquanto apenas 23% veem a medida como negativa por temerem um novo ciclo de endividamento.
A pesquisa também revela um forte apoio a uma contrapartida sensível: 79% concordam com a proibição temporária das apostas online para beneficiários do programa. Esse dado sugere que os eleitores aceitam medidas financeiras, mas exigem responsabilidade para evitar novos endividamentos.
A análise política é clara: Lula conseguiu recuperar fôlego à medida que a economia começou a apresentar sinais menos negativos. A desaprovação diminuiu, enquanto a aprovação e as avaliações positivas aumentaram e o pessimismo sobre o futuro se reduziu.
No entanto, essa recuperação ainda enfrenta um teste crucial: traduzir melhorias econômicas em benefícios concretos na vida cotidiana das pessoas. Enquanto persistirem as percepções sobre alimentos caros (69%) e sobre comprar menos do que antes (69%), o governo continuará exposto à vulnerabilidade.
A Quaest entrevistou presencialmente dois mil eleitores entre os dias 8 e 11 de maio de 2026. A margem de erro é estimada em dois pontos percentuais com um nível de confiança de 95%, e o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03598/2026.
A pesquisa indica que Lula voltou a ter fôlego político, mas também deixa um aviso significativo: em 2026, as eleições serão decididas menos pelos discursos políticos em Brasília e mais pelos preços básicos como arroz, carne e gás, além da disponibilidade de empregos e da percepção sobre salários adequados até o fim do mês.
