Estados Unidos expandem presença da inteligência artificial no Brasil em meio à rivalidade com a China

A OpenAI, uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos, anunciou na última segunda-feira (17) a ampliação de suas atividades comerciais no Brasil, escolhendo o país como um ponto estratégico para sua atuação na América Latina. Este comunicado surge em um momento em que o mercado brasileiro conta com 50 milhões de usuários ativos mensais e registra impressionantes 215 milhões de mensagens diárias enviadas ao ChatGPT, representando o maior volume global da plataforma.

A expansão comercial dos americanos assume um caráter geopolítico, especialmente em meio à competição por liderança tecnológica e ao aumento da concorrência chinesa no campo da inteligência artificial. O Brasil se destaca como o segundo maior centro mundial de desenvolvedores das ferramentas da OpenAI.

Fatores geopolíticos e acesso a tecnologias

Em uma apresentação realizada em São Paulo, Jason Kwon, diretor de estratégia da OpenAI, discutiu os riscos associados a decisões unilaterais do governo dos EUA que podem impactar o acesso internacional a modelos avançados. Em junho, a administração de Donald Trump chegou a proibir temporariamente a exportação dos sistemas Fable 5 e Mythos 5, criados pela concorrente Anthropic, antes de reverter essa decisão.

Kwon destacou que restringir o acesso a mercados internacionais compromete os próprios interesses dos Estados Unidos na arena global. Ele também revelou que a equipe da OpenAI esteve em diálogo com a Casa Branca para facilitar a liberação mais ágil do modelo ChatGPT 5.6 Sol para o exterior.

Concorrência asiática e colaborações locais

A instalação de infraestrutura estrangeira no Brasil é uma estratégia para enfrentar o crescimento de alternativas desenvolvidas na China, como Qwen, da Alibaba, e Kimi, da Moonshot AI. Esses sistemas têm atraído desenvolvedores brasileiros devido à sua abordagem mais aberta em termos de código e aos custos reduzidos para implementação em servidores próprios.

Para consolidar sua presença no mercado brasileiro, a OpenAI anunciou investimentos em pesquisas no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Além disso, estão previstas parcerias voltadas para formação técnica com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e um acordo colaborativo com a Prodam, empresa pública de tecnologia da cidade de São Paulo.

No Brasil, as licenças corporativas cresceram cinco vezes em um ano, evidenciando a dependência das plataformas proprietárias dos EUA e reafirmando a relevância do debate sobre soberania digital e infraestrutura estratégica no Sul Global.