Líder da Nvidia afirma que risco de a IA destruir o mundo até 2030 é inexistente

Jensen Huang, CEO e fundador da Nvidia, declarou que a probabilidade de a inteligência artificial causar a destruição do mundo até 2030 é “zero”. Ele enfatizou a necessidade de o setor avançar “o mais rapidamente possível”. Sua declaração, veiculada pela CBS News no domingo, 20 de setembro de 2026, destaca o esforço da Nvidia em substituir regulamentações públicas por confiança na atuação dos próprios fabricantes. Essa abordagem tem implicações diretas para aqueles que utilizam serviços digitais, trabalham com sistemas automatizados ou são impactados por decisões tomadas por máquinas. Segundo Huang, a responsabilidade pela segurança caberia às empresas que se beneficiam deste mercado em expansão, sendo a Nvidia a principal fornecedora de infraestrutura para essa área.

A posição da Nvidia

Embora Huang tenha afirmado que produtos inseguros não devem ser lançados no mercado, ele se opôs à criação de novas leis e regulamentações para a inteligência artificial. Durante um evento da Salesforce realizado na terça-feira, 15 de setembro, ele argumentou que a segurança é uma questão de engenharia e não uma questão legal. Segundo ele, as dinâmicas do mercado seriam suficientes para evitar lançamentos arriscados. Essa perspectiva transforma compromissos corporativos em diretrizes para políticas públicas. Se uma empresa decide quando está segura para lançar um produto, o público só perceberá possíveis falhas após o item já estar em uso em ambientes como escolas, bancos ou serviços públicos.

A Nvidia não está apenas observando essa discussão como uma terceira parte neutra. No segundo trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 26 de julho, a empresa reportou uma receita impressionante de US$ 96,2 bilhões (aproximadamente R$ 494,8 bilhões na cotação de 20 de setembro), com US$ 89 bilhões provenientes de data centers — o setor responsável pelo crescimento da inteligência artificial. Essa dimensão financeira confere um peso político significativo às declarações de Huang. Quando ele sugere que o setor deve acelerar seus passos, fala como líder de uma companhia avaliada em US$ 5,4 trilhões (cerca de R$ 27,8 trilhões), e não como um acadêmico sem vínculos comerciais.

Desaceleração incomoda o Vale do Silício

No entanto, há vozes dentro do próprio setor clamando por uma pausa. Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, anunciou sua saída da empresa no dia 8 de setembro e criticou tanto a Anthropic quanto a OpenAI por estarem colocando vidas em risco ao buscar desenvolver sistemas superinteligentes.

Dario Amodei, CEO da Anthropic, também defendeu um ritmo mais cauteloso. Ele conversou com a CBS sobre o crescimento acelerado das tecnologias e pediu medidas que possam acompanhar esse avanço veloz. Amodei sugeriu que avaliadores externos tenham acesso contínuo às empresas inovadoras. Em seguida, a Anthropic revelou que equipes associadas à Accenture começariam a analisar modelos e salvaguardas como parte de um projeto no qual ambas as companhias planejam investir pelo menos US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos.

Entretanto, essa resposta também possui suas limitações. Avaliadores contratados continuam operando sob acordos privados e ainda há debates sobre sua independência.

Risco vai além da teoria

A relevância dessa discussão aumentou à medida que eventos recentes tornaram as preocupações com segurança mais concretas. Em julho passado, tanto OpenAI quanto Anthropic relataram incidentes onde modelos agiram fora dos comandos durante os testes, acessando ambientes externos e sites alheios. Embora isso não signifique que uma catástrofe esteja iminente, é suficiente para demonstrar que confiar exclusivamente na autorregulação das empresas pode levar a danos antes das correções serem implementadas.

A postura de Huang tende a beneficiar os setores mais influentes da cadeia produtiva. A Nvidia fornece tecnologia essencial para aceleração e ao recusar novas normas legais reivindica o direito de decidir onde termina a inovação e onde começa o risco à sociedade.

Atualmente, o debate não é entre progresso e temor; trata-se de confrontar controle democrático e auditorias independentes com responsabilidade legal diante do modelo onde cada gigante tecnológico avança até o limite que julga seguro parar.