Na segunda-feira, dia 5, o Pentágono informou sobre uma nova ação militar dos Estados Unidos contra uma embarcação no Caribe, supostamente relacionada ao tráfico de drogas, que resultou na morte de quatro indivíduos. A operação ocorreu no domingo, dia 4, e foi registrada em vídeo pelas forças armadas americanas; as imagens mostram uma lancha sendo atingida por um projétil em alto-mar, conforme reportado pela Revista Fórum. Segundo o Comando Sul, há “informações de inteligência confirmadas” que indicam que a embarcação operava em rotas conhecidas de tráfico, como mencionado pelo Vero Notícias. Contudo, os relatos consultados não apresentam evidências públicas além do vídeo, e o jornal mexicano La Jornada sugere que a ligação com o narcotráfico foi feita sem comprovações.
A avaliação da campanha militar, iniciada em setembro de 2025, apresenta discrepâncias conforme a fonte consultada. A agência AP aponta que pelo menos 235 pessoas foram mortas em 70 ataques, enquanto a AFP indica um número mínimo de 230 vítimas. O La Jornada menciona ao menos 238 mortes em mais de 70 operações. Por sua vez, o Vero Notícias, baseado em comunicados oficiais, contabiliza ao menos 238 mortos e a destruição de cerca de 80 embarcações, além de mencionar que pelo menos 26 pessoas sobreviveram e outras 23 são consideradas desaparecidas. Essas variações se devem a critérios distintos para contagem dos ataques ou embarcações e se incluem ou não os desaparecidos; nenhuma das fontes afirma que os números tenham sido verificados de maneira independente.
Segundo informações da Fórum, os militares americanos afirmam que a frequência das operações tem diminuído nos últimos meses. O Pentágono atribui essa redução a uma queda significativa no tráfico marítimo desde o início da ofensiva; no entanto, essa afirmação não é acompanhada por dados comparativos sobre o volume do tráfico antes e depois das ações. O ataque realizado no domingo evidencia que as operações continuam em curso, mas não há medições públicas que permitam avaliar se a ofensiva está realmente gerando resultados efetivos.
A questão central da polêmica reside no aspecto jurídico. Organizações não governamentais e especialistas alertam sobre a possibilidade de execuções extrajudiciais, já que as ações ocorrem longe da costa e os alvos não foram presos nem submetidos a julgamento. A Fórum destaca essa preocupação, enquanto o La Jornada relata que especialistas consideram os bombardeios como violações do direito internacional caracterizadas como execuções. Em contrapartida, a Casa Branca afirma que a operação visa conter o fluxo de drogas destinado aos Estados Unidos; enquanto isso, o governo Trump classifica as vítimas como “narcoterroristas”, segundo informações da AP. A discussão gira em torno do tipo de abordagem: se militar contra inimigos — como descrito por Washington — ou policial, demandando prisões e julgamentos.
O contexto regional é relevante para entender o episódio. A Euronews observa que a operação denominada Lança do Sul (Southern Spear) vinha sendo intensificada e que, em janeiro de 2026, após uma ação militar americana, Nicolás Maduro foi extraditado para Nova York sob acusações de narcoterrorismo. Na mesma ocasião, países como Espanha, Brasil, Chile, Colômbia, México e Uruguai emitiram uma declaração conjunta repudiando as operações militares unilaterais na Venezuela e afirmando serem essas ações uma violação do direito internacional.
Os dados sobre as vítimas estão sujeitos a atualizações após cada novo ataque; até o momento, o Pentágono não revelou detalhes sobre a identidade dos falecidos na última ação.
