Indústria registra queda de 0,30% nos preços em maio, impulsionada pelo setor alimentício

No mês de maio de 2026, os preços industriais apresentaram uma queda de -0,30% em relação a abril do mesmo ano, revertendo a alta registrada no mês anterior, que foi de 2,62% na comparação com março.

A variação média dos preços da indústria nacional em maio foi de -0,30% em comparação a abril, sinalizando uma mudança de tendência quando se observa o aumento de 2,62% entre abril e março. Nos últimos doze meses, o índice acumulado chegou a 1,99%. Além disso, os cinco primeiros meses de 2026 registraram um crescimento de 4,80%, o quarto maior para um mês de maio desde o início da série histórica em 2014.

Essas informações foram divulgadas hoje (30) pelo IBGE por meio do Índice de Preços ao Produtor (IPP), que avalia os preços “na porta de fábrica”, excluindo impostos e fretes. A pesquisa abrange as principais categorias econômicas.

Durante o mês analisado, sete das 24 atividades industriais monitoradas apresentaram quedas nos preços em relação ao mês anterior, refletindo a tendência observada no índice geral da indústria. Em contrapartida, no mês anterior, algumas atividades também mostraram preços médios mais baixos em comparação ao período anterior, embora o índice geral tivesse mostrado uma variação positiva.

As quatro atividades que se destacaram pela maior variação negativa foram: indústrias extrativas (-5,90%), borracha e plástico (4,80%), madeira (3,08%) e outros produtos químicos (2,14%).

O setor alimentício destacou-se significativamente na composição do resultado total entre os meses de maio e abril. Este segmento foi responsável por uma contribuição negativa de -0,48 ponto percentual (p.p.) na variação geral da indústria que ficou em -0,30%.

“O setor alimentício tem uma grande influência no cálculo do índice e apresentou uma queda de 2,05% no mês. Os menores preços do açúcar foram impulsionados pelo aumento da safra da cana-de-açúcar, fazendo com que os preços do grupo relacionado à fabricação desse produto caíssem 10,38%. Além disso, houve também uma redução nos preços do café devido ao período de colheita”, comentou Murilo Alvim, gerente do IPP.

No acumulado do ano até maio/2026, as atividades que mostraram as maiores variações incluem: outros produtos químicos (20,28%), indústrias extrativas (15,78%), borracha e plástico (14,78%) e refino de petróleo e biocombustíveis (8,27%).

“Por exemplo, o setor de borracha e plástico teve um aumento significativo de 4,80% entre abril e maio. Esse crescimento foi impulsionado pela fabricação de produtos plásticos cujos preços subiram em média 6,59%, influenciados pelas altas nos derivados de petróleo observadas nos meses anteriores. Nos últimos três meses, esse grupo teve um avanço acumulado de 21,83%, o que contribuiu para seu destaque nas variações anuais”, destacou Alvim.

Em relação às Grandes Categorias Econômicas para maio frente a abril de 2026 — onde a variação geral da indústria foi de -0,30% — as repercussões foram as seguintes: bens de capital (BK) com variação de -0,21%; bens intermediários (BI) apresentando -0,29%; e bens de consumo (BC) com -0,34%. Notavelmente os bens duráveis tiveram uma leve alta de 0,09%, enquanto os semiduráveis e não duráveis experimentaram uma queda de -0,42%.

Os bens intermediários foram os principais responsáveis pela influência sobre o índice geral com um peso significativo na composição total – 55,18% – resultando em uma contribuição negativa de -0,16 p.p. para a variação total da indústria extrativa e transformadora.

Além disso, bens de consumo tiveram impacto negativo equivalente a -0,12 p.p., enquanto bens de capital contribuíram com -0,02 p.p.. Dentro dos bens consumidos em maio há divisão: +0.01 p.p. advinda dos duráveis e -0.13 p.p. dos semiduráveis e não duráveis.

Entenda mais sobre o IPP

O IPP monitora as alterações médias nos preços recebidos pelos produtores nacionais por seus bens e serviços ao longo do tempo. Ele serve como um indicador importante para identificar tendências inflacionárias no curto prazo no Brasil. Este dado é essencial para análises macroeconômicas e oferece subsídios valiosos para decisões tanto públicas quanto privadas.

A pesquisa abrange mais de 2.100 empresas coletando mensalmente cerca de seis mil preços isentos dos impostos comuns nas transações comerciais. As tabelas completas referentes ao IPP estão disponíveis no Sidra. A próxima divulgação referente aos dados do mês passado será feita em 30 de junho.

Com informações da Agência IBGE