Flávio e Aécio enfrentam índices elevados de desaprovação juntos

Uma nova pesquisa realizada pela AtlasIntel em colaboração com a Bloomberg indica que a rejeição de candidatos permanece como um dos principais desafios para a oposição nas eleições de 2026. Aécio Neves e Flávio Bolsonaro se destacam como os políticos mais rejeitados na disputa presidencial, apresentando índices superiores a 50%, o que evidencia as dificuldades da direita em elaborar uma candidatura que consiga romper a polarização e expandir seu apelo entre eleitores do centro.

De acordo com os dados coletados, Aécio Neves ocupa o primeiro lugar em rejeição, com 54%, seguido por Flávio Bolsonaro, que registra 53%. Os próximos na lista são Lula, com 48,6%, Jair Bolsonaro, com 45,2%, e Michelle Bolsonaro, com 43,2%. A pesquisa foi conduzida entre os dias 26 e 30 de junho e teve uma amostra de 4.999 eleitores, apresentando uma margem de erro de 1 ponto percentual.

A situação é particularmente significativa para Flávio. Apesar de ser o principal representante do bolsonarismo na competição contra Lula, sua alta taxa de rejeição limita suas chances de atrair eleitores além da base leal da direita. Para vencer em um eventual segundo turno, não basta contar apenas com o apoio ideológico; é crucial amenizar a resistência entre moderados, mulheres, jovens, evangélicos menos radicais e eleitores centristas.

A pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg também revela que Lula lidera as intenções de voto no primeiro turno com 46,3%, enquanto Flávio Bolsonaro alcança 36,6%. No cenário do segundo turno, o presidente teria uma vitória por 48,8% a 42,3%, revertendo o empate registrado anteriormente em abril.

A elevada rejeição enfrentada por Aécio sinaliza um desafio adicional para a direita tradicional. Mesmo fora do centro das atenções na disputa presidencial atual, o ex-governador de Minas Gerais ainda carrega um peso significativo em relação ao desgaste nacional acumulado desde 2014 e às crises políticas subsequentes. Isso limita seu potencial como uma opção viável de centro-direita e sugere que parte do eleitorado ainda liga seu nome aos períodos de instabilidade que precederam o governo bolsonarista.

No caso de Lula, a situação é complexa. Embora também tenha uma taxa alta de rejeição — chegando a 48,6% — ele se posiciona abaixo tanto de Aécio quanto de Flávio. Contudo, Lula mantém sua liderança nas intenções de voto e possui uma base sólida que lhe permite superar seu principal concorrente em um segundo turno. Assim, mesmo com uma rejeição considerável, isso não impede sua vantagem eleitoral.

Para Flávio Bolsonaro, a situação é mais crítica devido à combinação de sua elevada rejeição e à dificuldade em ampliar sua base eleitoral. Ele herdou um sobrenome forte dentro da direita, mas também enfrenta o desgaste associado ao bolsonarismo e conflitos internos com Michelle Bolsonaro. Além disso, há suspeitas relacionadas ao Banco Master e Daniel Vorcaro que afetam sua imagem. Em maio passado, já havia indícios da vantagem crescente de Lula sobre Flávio após reportagens que ligavam o senador ao banqueiro sob investigação.

A análise realizada pela AtlasIntel reforça uma tendência emergente: as eleições de 2026 serão decididas não apenas pela quantidade de votos recebidos pelos candidatos, mas principalmente pela capacidade de reduzir as taxas de rejeição. Nesse aspecto, Lula parece ter uma vantagem relativa. Por outro lado, Flávio Bolsonaro continua restrito ao teto imposto por um bolsonarismo forte e fiel — porém insuficiente para garantir uma vitória isolada.