Tesla enfrenta problemas com robotáxi no Texas: longas esperas e paradas inadequadas

O serviço de robotáxis da Tesla, promovido por Elon Musk como uma inovação transformadora na mobilidade autônoma, tem enfrentado sérios problemas operacionais no Texas, EUA. Um levantamento feito pela agência Reuters, compartilhado pelo portal CleanTechnica, revelou tempos de espera elevados, falta frequente de veículos disponíveis e passageiros sendo deixados longe dos locais desejados.

Menos de um ano atrás, Musk assegurou que até o final de 2025, os robotáxis da empresa atenderiam metade da população americana. No entanto, quase cinco meses após esse compromisso, o serviço ainda se limita a algumas áreas específicas em cidades do Texas e a maior parte dos carros ainda requer a presença de um operador humano durante as corridas.

Em Dallas, um jornalista da Reuters constatou que uma viagem de aproximadamente 8 quilômetros, majoritariamente por uma rodovia, durou cerca de duas horas. Esse mesmo trajeto poderia ser completado em cerca de 20 minutos por um motorista profissional tradicional, conforme relatado pelo repórter.

Além disso, o robotáxi deixou o passageiro a 15 minutos de caminhada do seu destino final. Ao buscar ajuda através do botão de suporte disponível no carro, foi informado que a área era ‘restrita’, apesar de estar inclusa no mapa oficial divulgado pela Tesla nas redes sociais. O atendente justificou que “ainda estamos na versão beta”.

Em outra corrida para um mercado localizado no centro de Dallas, o veículo autônomo deixou o usuário no lado oposto de uma autoestrada e sugeriu que ele fizesse o percurso por baixo de viadutos repletos de lixo e com forte odor. Em uma terceira tentativa, o carro falhou ao tentar realizar uma conversão à esquerda quatro vezes consecutivas e só conseguiu completar a manobra após a intervenção de um operador remoto.

A situação em Houston também não foi melhor. Uma repórter da Reuters somente conseguiu solicitar uma corrida durante uma noite de testes; seu segundo pedido foi cancelado automaticamente após 13 minutos sem resposta. Ela passou mais meia hora sem encontrar nenhum veículo disponível antes de optar por chamar um Uber.

Em Austin, considerada a cidade-modelo do projeto, uma jornalista acompanhou o desempenho do serviço durante três semanas em abril, realizando até oito tentativas diárias ao longo do dia. Em cerca da metade das tentativas realizadas, o tempo esperado ultrapassou os 15 minutos; em mais de 25% delas superaram os 25 minutos e em 27% das ocasiões não havia veículos disponíveis.

A segurança dos robotáxis também tem gerado preocupações entre as autoridades locais. Até agora, esses veículos estiveram envolvidos em 15 acidentes registrados, resultando em pelo menos uma hospitalização. A Tesla fez um pedido para que informações sobre essas colisões não fossem incluídas nos registros públicos — atitude contrastante com a postura da concorrente Waymo, ligada ao Google.

William White, tenente da polícia de Austin, testou os veículos e observou que eles costumam exceder os limites de velocidade estabelecidos. A explicação dada pela Tesla foi que permitir que seus carros autônomos também acelerassem seria mais seguro devido ao comportamento imprudente dos motoristas humanos. Contudo, essa justificativa foi rejeitada pelo policial, que enfatizou que jamais apoiaria programar veículos para infringir limites legais.

A Tesla não se manifestou sobre as falhas apontadas nas três cidades consultadas pela Reuters. Este cenário evidencia a discrepância entre as promessas otimistas feitas por Musk sobre a implementação iminente da condução autônoma total e as limitações reais enfrentadas pelo sistema atualmente.

Os serviços ainda dependem fortemente da supervisão humana e cometem erros elementares na navegação. Apesar disso tudo, continuam sendo apresentados como soluções em fase beta após anos repletos de promessas semelhantes feitas pelo executivo.


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