Na quarta-feira (26), o bitcoin (BTC) rompeu a faixa de resistência e estava sendo comercializado próximo a US$ 78 mil, após registrar um aumento superior a 20% desde a terça-feira (18). Essa movimentação não ocorreu sem turbulências, já que forçou a liquidação de vendedores alavancados que apostavam na queda do ativo acima da marca de US$ 68 mil.
Para o investidor comum, as consequências são evidentes. Aqueles que mantêm posições vendidas alavancadas após um rompimento de resistência correm o risco de serem liquidadas de forma automática pelas corretoras, obrigando-os a recomprar o ativo enquanto sua cotação sobe, transformando assim uma possível perda em combustível para uma nova alta nos preços.
A armadilha dos vendidos
O fenômeno conhecido como short squeeze foi o grande responsável por essa movimentação. Assim que o BTC ultrapassou os US$ 68 mil, as posições vendidas foram fortemente pressionadas, levando as corretoras a encerrar operações automaticamente e provocando uma compra forçada de bitcoins, resultando em um aumento expressivo no preço.
Durante o pico desse movimento, mais de US$ 1 bilhão em posições vendidas foi liquidado em cerca de uma hora. Esse processo é intenso e não depende de novas convicções do mercado; ele surge da necessidade urgente de cobrir perdas anteriores.
O especialista em criptomoedas da Empiricus Research, Luis Kuniyoshi, aponta três fatores que contribuíram para essa valorização. O primeiro deles foi a decisão do Tesouro dos Estados Unidos de aumentar suas recompras de títulos longos, o que o mercado interpretou como um sinal positivo para a liquidez dos ativos de risco.
Entretanto, é preciso considerar um ponto importante nessa análise. O próprio Tesouro descreve essa iniciativa como uma medida para garantir a liquidez do mercado em títulos públicos, e não como uma política monetária ou injeção direta de capital na economia.
O segundo fator relevante foi o rompimento técnico da faixa em que o bitcoin havia permanecido por quase sete semanas, oscilando entre US$ 59,9 mil e US$ 66,5 mil. O terceiro elemento diz respeito ao cenário regulatório nos Estados Unidos, onde há discussões sobre regras específicas propostas pela Securities and Exchange Commission para ofertas de criptoativos e também sobre a pressão política relacionada ao CLARITY Act.
O que o especialista recomenda
Kuniyoshi recomenda que se mantenha a posição comprada no bitcoin através da Empiricus Research. Ele acredita que o valor do ativo ainda está abaixo do pico histórico alcançado em outubro de 2025, quando atingiu mais de US$ 124 mil.
No entanto, essa recomendação não elimina os riscos associados a entradas ruins no mercado. Um rali impulsionado pela liquidação das vendas curtas pode continuar se houver demanda real por parte dos investidores, mas também pode perder força à medida que as recompras forçadas se esgotam.
Nesta narrativa, quem se destaca não é aquele que compra qualquer moeda logo após uma notícia positiva. O verdadeiro protagonista é o investidor disciplinado que compreende sua posição no mercado, evita alavancagens excessivas e reconhece que ignorar limites pode resultar em liquidações automáticas.
Nanocoins ampliam ganhos e perdas
A Empiricus também começou a recomendar investimentos em criptomoedas menores, referidas como nanocoins. A estratégia sugere que esses ativos com menor capitalização tendem a amplificar os movimentos do bitcoin.
Esse efeito funciona nos dois sentidos: quando o bitcoin valoriza, essas moedas menores podem proporcionar retornos ainda maiores; por outro lado, se o BTC desvaloriza, elas podem enfrentar quedas mais acentuadas devido à falta de liquidez nas saídas.
Kuniyoshi apresentou uma nova ferramenta chamada Nano IA, que utiliza inteligência artificial para monitorar moedas com baixa capitalização divididas em três categorias: nanocoins focadas em inteligência artificial, nanocoins especulativas e nanocoins ultraespeculativas.
A Empiricus informa que um protótipo dessa ferramenta obteve um retorno impressionante de 87,6% durante uma operação realizada entre os dias 8 e 10 de julho. Essa informação é exclusiva da empresa e deve ser considerada com cautela; retornos passados não garantem lucros futuros, especialmente quando se trata de criptoativos pequenos e voláteis.
A apresentação do Nano IA aconteceu na última segunda-feira (24), às 19h. Para aqueles que chegaram ao mercado depois da recente alta do bitcoin, a questão central não é apenas qual ativo adquirir agora, mas sim qual nível de risco estão dispostos a aceitar caso essa valorização tenha sido mais resultado de liquidações forçadas do que da entrada consistente de novo capital.
