Descontentamento com Trump cresce entre apoiadores de Bolsonaro nos EUA

A avaliação do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, sofreu uma queda significativa, alcançando apenas 35% de aprovação, enquanto a desaprovação aumentou para 63%, conforme os últimos dados da pesquisa realizada pela Reuters/Ipsos. Este aumento na rejeição indica um desgaste nas políticas econômicas e externas do governo de Washington, impactando diretamente a extrema-direita brasileira que se vinculou ao republicano em seus planos políticos.

O estudo foi conduzido online entre os dias 29 de julho e 3 de agosto de 2026, envolvendo 4.505 adultos em todo o país. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais, os resultados refletem a contínua deterioração da imagem do governo americano perante a população.

Desempenho negativo e crise econômica

Em todas as áreas abordadas pela pesquisa, a avaliação do governo republicano continua predominantemente negativa. A desaprovação é alarmante em vários aspectos: custo de vida (-47 pontos), economia (-35 pontos), política internacional (-28 pontos), avaliação geral (-28 pontos) e imigração (-16 pontos).

A percepção acerca da gestão econômica caiu drasticamente, com apenas 28% dos entrevistados aprovando o desempenho de Trump nesse setor. Essa porcentagem representa uma diminuição de dois pontos em relação à pesquisa anterior realizada em julho, intensificando o descontentamento popular.

Pela primeira vez em quase uma década nos levantamentos da Reuters/Ipsos, o Partido Democrata ultrapassou os republicanos na confiança quanto à capacidade de administrar a economia. O estudo revela que 37% dos participantes têm mais confiança nos democratas para gerir essa área, enquanto apenas 36% preferem os republicanos; 27% demonstraram incerteza ou escolheram outra sigla.

Conflito no Irã e suas consequências nos preços no Brasil

A diminuição da credibilidade republicana na economia está fortemente ligada ao aumento acentuado nos preços dos combustíveis. Esse encarecimento é resultado direto dos ataques militares realizados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã em fevereiro, que desencadearam o atual conflito no Oriente Médio.

O início desse conflito armado ilegal contra o Irã provocou uma inflação global. Esse fenômeno está elevando os custos dos combustíveis e impactando diretamente os preços dos alimentos em diversos países.

As crises econômicas e geopolíticas originadas em Washington demoram algumas semanas para afetar plenamente a América Latina; no entanto, a pressão sobre os preços inevitavelmente chega ao Brasil. Os desdobramentos da guerra evidenciam que as decisões da política externa americana resultam em prejuízos não apenas para os cidadãos americanos, mas também para as famílias brasileiras.

A insatisfação com a administração econômica coloca sérias dúvidas sobre as perspectivas do Partido Republicano nas eleições legislativas marcadas para novembro. Essa votação determinará qual partido assumirá o controle do Congresso americano pelos próximos dois anos.

No cenário simulado das votações para o Congresso, 42% dos eleitores registrados manifestaram intenção de apoiar candidatos democratas, enquanto 37% optariam por republicanos. Entre os eleitores independentes, a vantagem dos democratas chega a 12 pontos percentuais.

A queda política do governo Trump evidencia que o bolsonarismo fez uma escolha errada ao se alinhar incondicionalmente ao unilateralismo americano. À medida que a rejeição a Trump se solidifica, a extrema-direita no Brasil perde seu principal apoio internacional e enfrenta as consequências políticas dessa aliança.