Inadimplência no cartão de crédito atinge 449,4% ao ano após novo reajuste da taxa rotativa

Recentemente, os bancos reajustaram as taxas do juro rotativo do cartão de crédito. A média anualizada para pessoas físicas subiu de 436,2% em julho para 449,4% em agosto, conforme informações divulgadas pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (29).

Aqueles que optam por pagar apenas o valor mínimo da fatura acabam sendo impactados por essa taxa elevada. A pausa observada em julho durou apenas um mês.

Uma dívida que se duplica em cinco meses

A taxa de 449,4% ao ano resulta em aproximadamente 15% ao mês. Assim, um saldo de R$ 1.000 mantido no rotativo pode aumentar cerca de R$ 150 em um período de 30 dias, resultando na duplicação do montante em cerca de cinco meses.

Se a mesma dívida for mantida por um ano, ela poderá atingir cerca de R$ 5.500. Embora exista uma regra que exige que os bancos ofereçam opções de parcelamento após 30 dias no rotativo, essa alternativa também é onerosa, com taxas superiores a 180% ao ano.

A pressão também afeta o crédito consignado

O juro total dos cartões, que considera tanto o rotativo quanto o parcelado, aumentou de 93,1% para 97,8% entre julho e agosto. No crédito consignado do setor privado—que é a opção mais acessível devido ao desconto direto na folha salarial—a taxa subiu de 53,9% para 56,3%, atingindo o maior nível desde março.

As empresas encontram alívio

No entanto, as empresas registraram uma queda de 1 ponto percentual nas taxas gerais de crédito em agosto, fixando-se em 24,2% ao ano. No acumulado deste ano, o custo do crédito para as empresas ainda está 0,7 ponto percentual acima do verificado no mesmo período de 2025.

O limite para o rotativo destinado a capital de giro alcançou impressionantes 40,4% anuais, estabelecendo um novo recorde histórico. Além disso, a inadimplência nessa categoria chegou a 12%, também sendo um marco inédito.

O governo Lula introduziu o programa Desenrola 3.0, voltado para renegociações que visam R$ 150 bilhões em dívidas familiares. Os dados referentes a agosto evidenciam a magnitude desse desafio, com taxas crescentes para pessoas físicas em todas as linhas apresentadas pelo BC.

A próxima atualização sobre essas métricas será divulgada em outubro e irá refletir os dados de setembro. Até lá, quem paga apenas o mínimo na fatura continua tendo acesso ao crédito mais caro do país.