Após um período de inatividade que se estendeu por 20 dias, as agências da Caixa Econômica Federal reabrem suas portas nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026. A volta ao funcionamento total foi anunciada pelo banco, marcando o fim da espera para aqueles que dependem de seus serviços.
A rotina nas agências será restabelecida a partir da manhã deste dia. O acesso será reiniciado com a abertura das portas de vidro, a máquina de senhas voltará a emitir bilhetes e os guichês estarão prontos para atender demandas que não puderam ser resolvidas pelo aplicativo.
Durante o período em que as agências permaneceram fechadas, muitos clientes ficaram impossibilitados de realizar saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), PIS, regularizar pendências no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e acessar benefícios como o Bolsa Família. Para muitos, a necessidade do atendimento presencial tornou-se urgente, pois dependem do contato humano e da validação de documentos.
Com a reabertura das agências, uma série de processos que estavam paralisados também voltam a ter andamento: benefícios aguardando liberação para saque, documentos à espera de carimbo e escrituras que dependiam do FGTS terão novas datas estabelecidas.
A decisão que possibilitou a reabertura das agências foi tomada pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Em julgamento realizado na terça-feira, 29 de setembro de 2026, foi concluído que a greve não era abusiva, resultando na determinação imediata para o retorno ao trabalho. O relator da matéria foi o ministro Mauricio Godinho Delgado, cuja votação foi aprovada por unanimidade.
A Caixa havia solicitado a declaração de ilegalidade da greve com base no argumento de que suas atividades são essenciais. No entanto, essa solicitação não prosperou. O relator enfatizou em seu voto que “conflitos pontuais não são suficientes para anular o movimento”.
O processo em questão é o DCG-1000975-72.2026.5.00.0000 e foi analisado pelo TST, composto por 27 ministros indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Esse tribunal é responsável por resolver disputas entre categorias quando não há consenso e pode estabelecer condições através de sentenças normativas.
A relevância da Caixa na implementação de políticas públicas reforça a argumentação do banco. A instituição gerencia importantes transferências como FGTS, PIS e Bolsa Família e afirma atender cerca de 56 milhões de cidadãos em 98% dos municípios brasileiros.
Na última semana, mais de 80% das agências estavam fechadas, conforme dados fornecidos pela própria Caixa ao Judiciário. Apesar disso, os pagamentos realizados diretamente nas contas continuaram normalmente.
O serviço presencial foi o principal afetado pela paralisação; os atendimentos que requeriam interação física foram interrompidos. A situação já causava impacto fora das agências antes da reabertura; diversos negócios imobiliários estavam suspensos e projetos em andamento foram paralisados.
A greve teve início em 10 de setembro de 2026 após assembleia onde 90% dos votos válidos rejeitaram a proposta apresentada pelo banco. As negociações haviam se arrastado desde julho daquele ano sem um acordo satisfatório, levando a Caixa a entrar com um dissídio contra as confederações Contraf-CUT e Contec em 23 de setembro.
Antes da decisão judicial, já havia sido estabelecido um serviço mínimo; uma liminar emitida na sexta-feira anterior exigia que 60% dos funcionários estivessem trabalhando presencial ou remotamente sob pena diária de multa de R$ 100 mil para o sindicato representativo dos trabalhadores.
Resultados para os bancários
Os trabalhadores receberam um reajuste correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) mais um ganho real adicional de 0,6%, totalizando aproximadamente 4,6%. Essa nova faixa salarial se aplica tanto aos salários quanto aos benefícios como auxílio-refeição e cestas básicas durante dois anos, entre 1º de setembro de 2026 até 31 de agosto de 2028.
Outra conquista importante foi garantir os dias não trabalhados sem descontos nas folhas salariais; as horas paradas deverão ser compensadas num prazo máximo de até seis meses.
No tocante ao plano médico Saúde Caixa, as condições acordadas anteriormente permanecem válidas até 2026: mensalidade correspondente a 3,5% da remuneração com teto familiar fixado em 7%, agora com um ajuste também no patamar total mencionado anteriormente. As cláusulas referentes à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) permanecem inalteradas assim como os direitos sociais estabelecidos na data-base em setembro.
No entanto, algumas demandas não foram atendidas: o banco não está obrigado a respeitar o limite máximo da contribuição ao plano estipulado em 6,5% da folha salarial e a proposta defendida pelos trabalhadores sobre divisão proporcional do custo ficou fora da decisão judicial.
A Contec avaliou que “o problema do déficit ainda persiste” e indicou que por ora não pretende recorrer dessa decisão judicial.
Historicamente falando, quem parou as atividades enfrentou consequências financeiras mais severas no passado; durante uma paralisação nacional ocorrida em abril de 2021 contra cortes na PLR Social e outras questões relacionadas à abertura capitalização da Caixa Seguridade, descontos consideráveis foram aplicados nos salários dos funcionários afetados. Em junho de 2025 houve homologação judicial para restituir integralmente essas perdas após longas negociações mediadas pelo mesmo ministro Godinho.
Diferente daquela ocasião em que um dia parado levou quatro anos para ser compensado financeiramente aos trabalhadores afetados, os dias paralisados agora possuem previsão clara para restituição conforme determinação judicial e as filas devem voltar à normalidade nesta quarta-feira.
Informações provenientes do Tribunal Superior do Trabalho foram consideradas nesse artigo.
