No último sábado (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou a proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar as hostilidades no Oriente Médio em um prazo de sete dias. Essa decisão prolonga um conflito que já dura sete meses, colocando em risco uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo, responsável por cerca de 20% do consumo mundial.
“A proposta deles não é aceitável. Eu rejeito o acordo”, afirmou Trump durante uma coletiva com repórteres na Casa Branca, antes de sua viagem ao Tennessee. O presidente destacou que os EUA estão “vencendo de forma espetacular” e sugeriu que o Irã busca abrir a passagem “imediatamente” porque está enfrentando grandes perdas financeiras, afirmando que “não há fluxo de caixa entrando, já que tudo depende do Estreito de Ormuz”.
Trump reiterou que os Estados Unidos mantêm o controle sobre essa via marítima crucial.
Atualmente, o tráfego pelo estreito foi severamente reduzido após o fechamento da passagem pelo Irã, levando Washington a implementar um bloqueio econômico com a intenção de forçar a reabertura.
Possibilidade de novos bombardeios após as eleições
O jornal The Wall Street Journal divulgou a recusa antes mesmo das declarações oficiais, citando fontes anônimas dentro do governo americano. De acordo com essas informações, Trump desconfia da disposição do Irã em atender às suas exigências e já informou assessores sobre a possibilidade de reiniciar bombardeios após as eleições do Congresso, marcadas para novembro.
Antes dessa revelação, outra fonte do governo descreveu as negociações intermediárias como “positivas e construtivas”.
A troca de informações contradiz a versão apresentada pela Casa Branca…
A República Islâmica também buscou diálogo com a Arábia Saudita, seu rival regional, acerca do futuro da rota estratégica. Esse movimento evidencia a importância econômica da passagem no comércio global de petróleo.
Chanceler iraniano afirma que “tudo está preparado”
A proposta inicial foi apresentada pelo chanceler iraniano Abbas Araqchi durante uma entrevista na Assembleia Geral da ONU em Nova York na sexta-feira (25).
Transmitida através de mediadores catarianos aos EUA, a oferta previa uma contagem regressiva de sete dias para a reabertura do estreito e uma pausa nas hostilidades na região.
“Se houver sinceridade por parte dos americanos em fechar um acordo e reabrir o Estreito de Ormuz, tudo está preparado neste momento”, declarou Araqchi. Com um sinal positivo dos EUA, as partes poderiam iniciar negociações abrangentes “sobre temas mutuamente acordados”.
Recusa ligada ao programa nuclear
Essas negociações poderiam incluir discussões sobre o programa nuclear iraniano, que é o verdadeiro motivo por trás da recusa.
Trump exige garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares, uma condição fundamental para qualquer resolução do conflito.
Uma alta autoridade iraniana comentou à agência Reuters que não haverá concessões quanto ao programa nuclear, mesmo se os EUA aceitarem a proposta. Teerã não abrirá mão do direito ao enriquecimento de urânio nem permitirá que urânio altamente enriquecido seja enviado para fora do país.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou no programa Face the Nation da CBS estar disposto a negociar sobre questões nucleares e outros temas, desde que sem “intimidação ou coerção”. Ele ressaltou que “o Irã não busca guerra”, mas se defenderá contra pressões e ameaças. Além disso, Pezeshkian lembrou que seu país já concordou em não desenvolver armas nucleares.
Situação crítica após meses de conflito
A guerra teve início em 28 de fevereiro de 2026, com ataques realizados pelos EUA e Israel ao Irã.
Desde então, houve períodos alternados entre cessar-fogos e novas ofensivas, levando à morte de milhares e frustrando todas as tentativas de negociação.
Esse conflito interrompeu os fluxos petrolíferos pela principal rota marítima global e impactou negativamente a economia mundial. O fechamento dessa passagem aliado ao bloqueio econômico imposto pelos EUA mantém incertezas sobre o abastecimento para países dependentes dessa rota.
A decisão política por trás da guerra
A continuidade da guerra representa uma escolha política feita por Trump e não uma situação sem alternativas disponíveis.
Um acordo proposto para um período inicial de sete dias estava sendo preparado com mediação do Catar e disposição iraniana para discussões abrangentes. No entanto, foi rejeitado devido à falta das concessões nucleares exigidas por Washington.
A proposta dos sete dias permanece válida; nas palavras de Araqchi: “tudo está preparado”. A perspectiva dos novos bombardeios planejados por Trump coincide com as datas das eleições americanas em novembro.
