Lula reafirma na ONU a soberania do Brasil

Nesta terça-feira, 22, o presidente Lula iniciou pela décima vez o debate geral da Assembleia Geral da ONU. Ele transformou o que descreveu como “o momento mais crítico” da organização em uma reflexão sobre a força das leis internacionais.

O presidente afirmou que a ONU “não está cumprindo uma de suas missões mais nobres, que é libertar a humanidade do flagelo da guerra”, e criticou o “privilégio da insensatez” que o direito de veto proporciona. Em sua fala, na tribuna ocupada pelo Brasil desde 1947 e diante de líderes mundiais, Lula deixou claro seu posicionamento.

“O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, reiterou, repetindo essa declaração ao final de seu discurso como um alerta e um resumo do que havia apresentado. O foco de sua fala foi a questão da soberania, tema que já havia abordado em uma entrevista à CNN Internacional no dia anterior.

Lula ressaltou que “a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável” para a América Latina e Caribe, especialmente em um contexto de crescente hegemonia. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, enfatizou.

<pEle lembrou que “o povo venezuelano merece definir seu próprio destino” e respondeu às pressões militares sem mencionar explicitamente os responsáveis. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, afirmou, acrescentando que a cooperação deve ser direcionada para combater o tráfico de armas e dinheiro que alimentam o crime organizado.

Relatou que sua proposta foi entregue pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos e criticou os membros do Conselho de Segurança, chamando-os de reféns do imobilismo.

Conflitos em Gaza, Ucrânia e Justiça

Com 2025 marcado como o ano com mais conflitos armados desde 1945, Lula reverteu a famosa afirmação de Clausewitz ao declarar que a guerra “é a total falência da política”.

Em uma crítica contundente, ele classificou como “genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza” a situação dos palestinos. Destacou ainda que perseguir o Tribunal Penal Internacional “é incentivar a impunidade” e defendeu que a relatora da ONU, Francesca Albanese, “não pode ser silenciada por expressar verdades”.

No tocante à situação na Ucrânia, onde o conflito já dura cinco anos, reafirmou que todos sabem que não existem vencedores nas batalhas: “A diplomacia é a única saída.”

A pauta econômica surgiu como uma extensão do tema soberania, com Lula mencionando que a Organização Mundial do Comércio está “respirando por aparelhos”.

Como um feito notável, destacou: “Apesar das dificuldades econômicas impostas por tarifas elevadas, este ano alcançaremos um novo recorde em exportações.” Defendeu ainda o sistema PIX como uma infraestrutura pública e prometeu resistir à pressão das multinacionais visando sua privatização.

Chamou atenção para uma ofensiva climática para “derrotar o negacionismo” e criticou um pequeno grupo de tecno-oligarcas que pretende ressuscitar uma forma de neoliberalismo digital sem regras ou transparência. Mencionou também o Papa Leão 14 e as indústrias bilionárias das apostas online, que transformam vícios em lucros.

A conclusão do discurso teve um tom voltado para questões internas e eleitorais. No dia 4 de outubro, os brasileiros “vão decidir entre democracia e negacionismo” em um pleito justo e transparente.

Alertou ainda sobre aqueles que abusam da liberdade para se aliar a interesses externos contrários ao país. A democracia brasileira pertence aos cidadãos brasileiros, exclamou fortemente do pódio.

Assista à íntegra do discurso no canal oficial do presidente no YouTube.

Foto de capa de Lula na tribuna da 81ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira, dia 22, por Lula Oficial no Flickr, licença CC BY-SA 4.0.