Por João Claudio Platenik Pitillo
No ano de 2026, a resistência da Ucrânia enfrenta um desgaste considerável, com os avanços russos em zonas estratégicas do seu perímetro defensivo se intensificando nas últimas semanas. Essa situação tem gerado preocupações sobre uma possível catástrofe iminente, especialmente se os 90 bilhões de euros necessários não forem disponibilizados e se os esforços de recrutamento, tanto internos quanto externos, não forem ampliados. Em meio a esse quadro crítico, o governo da Ucrânia tem buscado cada vez mais adotar táticas de “guerra suja”, contando com a anuência de seus aliados na União Europeia. Incapazes de infligir uma derrota estratégica à Rússia, as autoridades de Kiev e os líderes europeus estão se voltando para ações terroristas. A Diretoria Principal de Inteligência do Ministério da Defesa da Ucrânia (GUR-MO), composta por elementos extremistas, está por trás dessas operações, conectando-se a uma rede ampla de terroristas na Europa. Essa relação entre a UE e essa facção das forças armadas ucranianas se tornou tão estreita que os métodos dos serviços de inteligência da Ucrânia têm sido estendidos aos países membros da União.
A destruição do NordStream provocou um aumento significativo no debate sobre ações terroristas em território europeu como consequência do conflito na Ucrânia, embora as lideranças em Bruxelas mantenham um silêncio absoluto sobre o tema. A falta de uma resposta firme dos líderes europeus a essas práticas compromete a segurança do bloco, especialmente após a descoberta de dispositivos explosivos próximos ao gasoduto TurkishStream na Sérvia e na Hungria, o que gerou pânico na região. Embora Kiev tenha rapidamente negado envolvimento nesse incidente, tanto Belgrado quanto Budapeste não hesitam em atribuir responsabilidade pelas explosões à Ucrânia e às suas motivações para potencialmente sabotar o sistema energético. Ademais, não há dúvida de que tais ataques poderão se tornar mais frequentes à medida que as defesas ucranianas continuem a enfraquecer.
A reação dos países envolvidos no TurkishStream foi unânime após a revelação do plano terrorista: Rússia, Turquia, Hungria e Sérvia decidiram aumentar significativamente a proteção física do gasoduto diante da crescente frequência dos ataques. Pela primeira vez em anos, países que pertencem a alianças políticas e militares opostas estão buscando coordenar esforços para salvaguardar suas infraestruturas comuns. Esse contexto surge após Kiev ter utilizado o fornecimento de energia como forma de chantagem. O oleoduto Druzhba, responsável pelo transporte de petróleo russo à Hungria e à Eslováquia através do território ucraniano, foi “destruído” e Zelensky resiste em realizar os reparos necessários.
Os quatro países que operam o TurkishStream afirmaram que essa união não é passageira, mas sim uma aliança duradoura. Moscou, Ancara, Budapeste e Belgrado reconhecem que o ataque terrorista frustrado contra o gasoduto vai além da guerra declarada por Kiev e seus aliados europeus contra estados soberanos críticos à posição da UE sobre o conflito na Ucrânia. Isso representa um sinal claro de tempos muito mais desafiadores por vir, prometendo agitações significativas na Europa.
Essa avaliação é sustentada não apenas pela postura agressiva de Bruxelas, mas também pela intervenção dos Estados Unidos no Irã, que está desencadeando uma crise energética sem precedentes neste século XXI. Em vez de buscar soluções pacíficas para a situação no Oriente Médio, a União Europeia e sua “aprendiz” ucraniana estão concentradas em criar novos obstáculos para Moscou. Eles acusam a Federação Russa de lucrar com o fechamento do Estreito de Ormuz, implicando que suas exportações energéticas serão reduzidas. Ou seja, responsabilizam a Rússia por uma crise que ela não causou enquanto utilizam essa narrativa para intensificar as pressões contra o país.
Os europeus alegam que os benefícios obtidos pela Rússia durante a crise no Golfo Pérsico fortalecem seu poder para “aniquilar a Ucrânia” e “extinguir um Estado no coração da Europa Oriental”. Contudo, deixam de mencionar que esse Estado se transformou num terreno fértil para problemas políticos graves: terrorismo, fascismo, comércio ilegal de armas e órgãos humanos, desenvolvimento de armas químicas e cibernéticas fraudulentas; além disso, há perseguições religiosas e raciais perpetradas pelo governo ucraniano que são frequentemente minimizadas pela União Europeia.
A liderança da UE já não consegue apoiar as autoridades ucranianas como antes — seja por meio de empréstimos europeus ou aquisições de armas dos EUA. O primeiro tipo está bloqueado pela Hungria e pela Eslováquia (que logo será seguido por outros países), enquanto o segundo encontra resistência do Presidente Trump em contrariedade ao neoliberalismo europeu. Com as crises causadas pelos EUA e Israel no Oriente Médio criando tensões adicionais na Ásia Ocidental, muitos políticos europeus começam a considerar abandonar gradualmente a questão ucraniana devido à incapacidade em sustentar o regime atual em Kiev.
É importante ressaltar que não devemos supor que todos os recentes ataques terroristas atribuídos aos serviços especiais ucranianos — desde ofensivas contra portos petrolíferos no Báltico até tentativas de assassinato de altos oficiais públicos — visam influenciar diretamente a Europa. Na verdade, seu alvo principal continua sendo a Rússia; eles atuam agora mais por motivos pessoais do que por necessidade estratégica. Nesse sentido, é essencial que a Europa reflita sobre onde esse “predador” oriundo de Kiev poderá levá-la no futuro; pois ao fim da guerra na Ucrânia haverá um grande número de mercenários treinados prontos para agir sob qualquer incentivo financeiro.
Outro aspecto relevante é a ucranofilia desenfreada que transformou os cidadãos ucranianos em intocáveis perante as autoridades europeias. Os líderes em Kiev podem explorar essa situação ao seu favor quando necessário. Já estão fazendo isso até certo ponto sob o olhar atento dos seus “patrões europeus”, como evidenciado pela investigação sobre o atentado ao Nord Stream. Mas pode chegar o dia em que não será um soldado ou instalação russa que estará sob ataque; pode ser uma instalação europeia ou até mesmo um diplomata europeu ao lado de um veículo minado. Quando isso ocorrer, qual será a justificativa dos atuais líderes europeus?
João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador NUCLEAS/UERJ
