A China revelou um novo modelo de inteligência artificial que transforma a maneira como são calculadas as emissões de carbono. Esse sistema não apenas diminui as emissões atribuídas ao país, mas também amplia a responsabilidade dos Estados Unidos nesse contexto.
Desenvolvido pela Academia Chinesa de Ciências, através do Instituto de Pesquisa Avançada localizado em Xangai, o projeto apresenta uma abordagem inovadora.
Diferentemente do modelo convencional, que geralmente avalia as emissões com base na produção — onde quem fabrica é considerado responsável pelo carbono gerado —, a China propôs uma mudança significativa nesse critério.
O novo modelo leva em consideração o consumo final dos produtos, redistribuindo a responsabilidade para os países que utilizam esses bens.
Essa alteração nos critérios resulta em novos dados. Segundo o sistema, as emissões da China em 2022 seriam 17,7% inferiores às estimativas internacionais convencionais. Por outro lado, as emissões dos Estados Unidos apareciam como 15,2% superiores quando incluído o consumo de produtos importados.
Essa mudança impacta diretamente a narrativa sobre emissões em nível global. Na prática, países exportadores como a China não assumem toda a responsabilidade pelas suas emissões industriais, enquanto os países consumidores passam a ter um papel mais significativo nessa equação.
A proposta é mais abrangente e contempla três dimensões:
- produção
- consumo
- fontes naturais
Dessa forma, os pesquisadores caracterizam o sistema como um modelo “panorâmico” de carbono.
A infraestrutura tecnológica por trás desse modelo é robusta e inclui mais de 200 terabytes de dados. A inteligência artificial utilizada permite processar essas informações em tempo quase real, encurtando análises que antes demoravam semanas para poucos minutos.
A precisão também se beneficia dessa nova abordagem, permitindo o rastreamento das emissões ao longo de toda a cadeia produtiva, abrangendo desde o comércio internacional até o ciclo de vida dos produtos.
Tais mudanças têm potencial para transformar a governança climática. Os pesquisadores afirmam que essa ferramenta pode estabelecer um sistema mais “justo e científico” na distribuição das responsabilidades entre os países.
A questão climática agora adquire uma dimensão geopolítica mais complexa. Deixou de ser apenas uma preocupação ambiental e se entrelaçou com comércio global, indústria e poder político.
A alteração na forma de medir as emissões implica também uma reavaliação do debate sobre tarifas verdes, sanções e políticas industriais, afetando diretamente o comércio internacional. Produtos provenientes de países industrializados podem apresentar menor “culpa climática”, enquanto economias consumidoras enfrentam maior exposição nesse cenário.
No caso do Brasil, essa situação é particularmente relevante. Como exportador de commodities, o país pode se beneficiar dessas novas metodologias que consideram o consumo final. Contudo, também deve acompanhar atentamente a evolução dessas regras.
Novos padrões relacionados ao carbono têm potencial para impactar tarifas comerciais, acesso aos mercados e competitividade das nações envolvidas.
A questão central reside na mudança do critério adotado: não se trata apenas de medir carbono, mas sim de definir quem realmente é responsável por suas emissões. Nesse contexto, a China apresentou uma proposta que pode estabelecer um novo padrão global.
Com informações da SCMP
