Flávio Bolsonaro faz declarações falsas sobre as urnas para diplomatas internacionais

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou um evento com diplomatas estrangeiros para reiterar inverdades acerca do sistema eleitoral brasileiro, informações já refutadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Denominado "Debating Brazil", o evento foi organizado pela agência Novo Selo Comunicação em colaboração com o jornal The Brazilian Report e ocorreu na última segunda-feira, dia 21.

Durante sua fala, Flávio insinuou que as urnas eletrônicas do Brasil compartilhariam a mesma origem das venezuelanas da companhia Smartmatic, fazendo referência a um relatório da CIA que menciona supostas fraudes na Venezuela em 2012.

O TSE já se manifestou diversas vezes para desmentir essa ligação. Embora a Smartmatic forneça sistemas para a Venezuela, não fabrica urnas nem disponibiliza softwares para os processos eleitorais brasileiros.

Por meio de uma nota oficial, o tribunal esclareceu que "toda a concepção do projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema de votação eletrônico é inteiramente gerida pela Justiça Eleitoral do país". A empresa chegou a participar de um processo licitatório em 2020 para produzir urnas, mas não obteve sucesso.

A atuação da Smartmatic no Brasil ficou restrita ao treinamento de técnicos e à prestação de serviços relacionados à conexão de dados. Após disseminar essa desinformação, Flávio fez um recuo parcial, afirmando que não questionava o sistema, mas sugerindo que outros países enviassem observadores para as eleições no Brasil.

Essa estratégia lembra ações de seu pai, Jair Bolsonaro, que em julho de 2022 convocou embaixadores para criticar as urnas sem apresentar provas. Jair foi punido pelo TSE por abuso de poder e uso inadequado dos meios de comunicação, resultando em sua inelegibilidade até 2030. Atualmente, ele enfrenta prisão preventiva por tentativa de golpe de Estado.