A recente pesquisa da Reuters/Ipsos revelou que a popularidade de Donald Trump alcançou seu ponto mais baixo durante sua segunda administração na Casa Branca. Publicados nesta segunda-feira (17), os dados indicam que apenas 33% dos norte-americanos aprovam a gestão do presidente, enquanto 64% expressam desaprovação. Esse índice é equivalente ao pior momento de sua primeira presidência, registrado em dezembro de 2017, o que indica uma queda abrupta em um curto espaço de tempo.
Realizado online ao longo de quatro dias e concluído na mesma data, o levantamento entrevistou 1.166 adultos em todo o território americano, apresentando uma margem de erro de 3 pontos percentuais. A tendência é clara: a aprovação caiu de 35% nas pesquisas realizadas no início do mês, e essa trajetória descendente persiste desde que Trump reassumiu a Presidência no ano passado, distantes dos quase 50% de apoio que recebia no início do mandato.
O fator central dessa queda na popularidade tem um nome: Irã. Após ordenar ataques contra o país em colaboração com Israel, Trump viu sua popularidade despencar, assim como a promessa de manter a inflação sob controle e evitar conflitos prolongados — uma das suas bandeiras para a campanha de 2024. O conflito resultou na paralisação de um quinto do comércio global de petróleo, aumento significativo nos preços dos combustíveis e impacto direto no orçamento das famílias americanas, especialmente com as eleições legislativas se aproximando em novembro, quando seus aliados republicanos tentam preservar as maiorias no Congresso.
A expectativa inicial era que o conflito fosse breve — uma ação militar rápida e precisa, conforme afirmado pelo governo, com o objetivo de impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares capazes de ameaçar o mundo. No entanto, a realidade seguiu um caminho diferente. Teerã resistiu e quase bloqueou o comércio pelo Estreito de Ormuz, mesmo diante da redução temporária das hostilidades; atualmente, a perspectiva de um desfecho rápido parece improvável.
A opinião pública americana já abandonou as esperanças otimistas promovidas pela Casa Branca. Aproximadamente 80% dos entrevistados — incluindo 87% dos democratas e surpreendentes 71% dos republicanos — acreditam que a participação dos Estados Unidos no Irã se prolongará por um longo período. Somente 16% ainda acreditam em uma resolução rápida em questão de semanas. Esse ceticismo transcende as divisões partidárias: mesmo entre os apoiadores mais fiéis de Trump, muitos já não confiam na narrativa otimista sobre uma vitória iminente.
Essa desconfiança bipartidária ajuda a explicar por que a queda na popularidade não se limita apenas aos eleitores democratas. Uma administração que contava com uma resolução rápida para um conflito no Oriente Médio agora enfrenta consequências opostas: gasolina cara, guerra sem fim à vista e um Congresso republicano sob pressão para justificar essa situação nas eleições de novembro. Cada nova pesquisa da Reuters/Ipsos revela consistentemente esse dilema — a estratégia militar não trouxe nem vitórias claras nem benefícios políticos internos.
É relevante considerar os cuidados metodológicos ao analisar os dados: a diferença entre os 35% da pesquisa anterior e os atuais 33% está dentro da margem estatística de erro de três pontos — embora isso não descarte a tendência geral de queda ao longo do tempo. O que é indiscutível é a diferença significativa entre os atuais 33% e os quase 50% registrados no início do mandato: trata-se de uma erosão sustentada no apoio à presidência, não meramente um ruído estatístico.
Para um presidente cuja principal mensagem eleitoral gira em torno da estabilidade econômica e da paz, esta combinação de preços elevados nos combustíveis e conflitos intermináveis é particularmente prejudicial. Os números recentes não são apenas mais uma estatística; representam uma evidência clara de que quanto mais se estende o conflito com o Irã, mais caro isso se torna para Trump em termos políticos — especialmente em um momento crítico para fortalecer sua base no Congresso.
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