Metrô de Londres amplia cobertura 5G em seus túneis

Os usuários do metrô de Londres estão deixando para trás anos de desinteresse em relação ao sinal, que caracterizou longas jornadas subterrâneas. A introdução da tecnologia de quarta geração e 5G ocorre através de um contrato de concessão com duração de 20 anos. A Boldyn Networks, que anteriormente era conhecida como BAI Communications, foi a empresa escolhida pela Autoridade de Transportes de Londres para implementar essa rede, transformando o que antes era um deserto digital em uma infraestrutura acessível às operadoras, sustentada por fibra óptica e expandindo-se para as vias urbanas.

Segundo a última análise realizada pela Ookla, que envolveu mais de 50 milhões de medições de sinal na cidade entre 25 de março e 30 de abril de 2026, o metrô já se equipara à cobertura disponível na superfície. Nos trechos subterrâneos que já possuem conexão, 19,8% das medições foram registradas em 5G, enquanto a média da cidade acima do solo ficou em 16,5%.

A chegada tardia do sinal

Ainda há áreas da rede que carecem de cobertura total. Em agosto de 2026, aproximadamente 60% das 121 estações subterrâneas contavam com sinal móvel, e a expectativa é que toda a instalação esteja finalizada até o final do mesmo ano.

Esse cronograma já apresenta atrasos; em 2021, o prefeito Sadiq Khan havia garantido que as estações e os túneis estariam conectados até o final de 2024. No entanto, a implementação avançou em etapas, resultando na experiência dos passageiros alternando entre áreas com e sem conexão.

A melhoria é notável. Os usuários que transitam por plataformas e túneis com cobertura podem realizar chamadas, receber mensagens, verificar rotas e solicitar assistência sem precisar esperar pela próxima estação ou sair para a superfície.

Essa era uma necessidade básica há muito reprimida. Em uma metrópole onde o transporte público é vital para milhões de deslocamentos diários, a ausência de sinal no subterrâneo nunca se restringiu apenas à frustração ocasional ou à ansiedade nas redes sociais.

A concessão transforma falhas em lucro

A implementação da nova rede foi concedida à BAI Communications em junho de 2021. Após essa data, a empresa rebatizou-se como Boldyn Networks e opera um sistema neutro que permite acesso compartilhado às principais operadoras móveis do Reino Unido.

Este contrato estabelece um ponto único para a infraestrutura subterrânea. As operadoras utilizam essa rede ao invés de criar suas próprias estruturas e a concessionária recupera seus investimentos através das taxas cobradas pelo uso dessa rede compartilhada e pela instalação planejada de até 3.400 pequenas antenas em ativos urbanos conectados ao sistema londrino.

O resultado fecha lacunas tecnológicas enquanto mantém um modelo comercial viável. Os passageiros obtêm conexão após anos sem serviço disponível, enquanto os recursos gerados pelo novo sistema são distribuídos entre a concessionária, as operadoras e a autoridade responsável pelo transporte.

Esses custos não aparecem claramente nas tarifas dos bilhetes. Eles tendem a ser incorporados aos gastos das empresas telefônicas na competição por dados e refletidos nos preços dos planos oferecidos aos consumidores.

Metrô oferece melhor cobertura do que as ruas, mas com limitações

Números absolutos favorecem o ambiente subterrâneo. A intensidade média do sinal da quarta geração nas plataformas é medida em -96 dBm, comparada ao -98 dBm encontrado na média da superfície londrina; já o sinal 5G no metrô chega a -93 dBm onde há cobertura disponível.

Sinais mais próximos do zero indicam maior intensidade. Isso ajuda a entender porque trechos recentemente equipados apresentam qualidade superior ao sinal comparado às ruas saturadas por edifícios altos e maior distância das antenas.

No entanto, essa comparação tem seus limites. Quando se analisa o sinal diretamente abaixo das ruas superiores, ainda há uma vantagem significativa para a superfície entre 2 e 3 dB no sinal da quarta geração e alguns pontos percentuais na disponibilidade do 5G.

Além disso, não houve uma medição integral da experiência do usuário; os testes realizados focaram apenas na cobertura e intensidade do sinal sem avaliar aspectos como velocidade de download, latência nas chamadas ou estabilidade durante horários críticos.

O passageiro se torna um mercado garantido

A diferença política reside na abordagem adotada para resolver esse problema histórico. Enquanto cidades como Hong Kong e Tóquio já consideravam a conectividade nos transportes subterrâneos como parte essencial da infraestrutura urbana há anos, o metrô londrino sempre foi visto como um dos grandes pontos cegos da telefonia britânica.

Agora, essa lacuna está sendo preenchida como um produto comercializado. O usuário que depende do metrô para trabalhar ou atender emergências agora tem acesso à conexão através de um arranjo que transforma cada minuto no transporte em tráfego útil para dados comerciais.

Não existe gratuidade automática no acesso ao 5G dentro do metrô; o celular conecta-se conforme as condições habituais acima do solo — dependendo do dispositivo utilizado pelo cliente e seu plano contratado.

A nova rede também aumenta o valor dos passageiros para serviços digitais. Anteriormente interrompidos pelos túneis durante as viagens, notificações importantes agora fluem continuamente durante todo o percurso.

Serviço público internamente; lucro privado externamente

A proposta apresentada pela autoridade londrina enfatiza melhorias em segurança e conforto para os usuários. Essa afirmação é respaldada pela capacidade da nova infraestrutura apoiar futuras Redes de Serviços de Emergência — um sistema móvel previsto para substituir o Airwave atualmente utilizado pela polícia e serviços médicos.

No entanto, existem questões relacionadas ao modelo econômico escolhido. Uma necessidade coletiva foi transformada em ativo sob concessão; portanto, sua modernização depende da remuneração à empresa responsável pelo controle da camada física nesse espaço subterrâneo.

Esse cenário destaca os desafios centrais relacionados à infraestrutura digital nas áreas urbanas contemporâneas. A integração entre metrôs, ruas e estações é tão fundamental quanto iluminação pública ou sistemas eficientes de bilhetagem; contudo, governos endividados estão delegando essa expansão a contratos prolongados cujo retorno financeiro fica atrelado às empresas especializadas nesse setor.

Para Londres, os benefícios imediatos são evidentes: até o final de 2026 — caso o cronograma seja respeitado — os usuários deverão experienciar menos interrupções significativas durante suas viagens subterrâneas.

No entanto, esse avanço também traz consigo limites claros; embora a lacuna relacionada ao 5G esteja sendo preenchida gradualmente, esse progresso acabou se tornando uma fonte adicional de receita para operadoras telefônicas e concessionárias envolvidas no serviço público local.