Iniciativa privada em Laufenburg planeja instalação de bateria subterrânea com capacidade de 1,2 GW

Um ambicioso projeto idealizado pelo consórcio FlexBase está em andamento para desenvolver um complexo subterrâneo de armazenamento de energia na cidade suíça de Laufenburg. Este sistema é projetado para fornecer até 1,2 gigawatt (GW) de potência, com uma capacidade de resposta que pode ser acionada em milissegundos. Esse valor está ligeiramente abaixo da capacidade da usina nuclear Angra 2, localizada no Brasil, e permitirá a injeção ou absorção imediata de eletricidade em resposta às flutuações da rede europeia.

Os planos para a operação estão programados para serem realizados até o final da década, com um investimento privado estimado entre 1 bilhão e 5 bilhões de francos suíços, o que corresponde a aproximadamente R$ 6 bilhões a R$ 32 bilhões. O projeto também contempla a integração do complexo à rede elétrica de alta tensão da Suíça, administrada pela Swissgrid.

Câmara subterrânea de 27 metros

Até o momento, já foi escavada uma câmara com profundidade de aproximadamente 27 metros sob a área urbana, destinada à instalação de equipamentos para armazenamento em larga escala. Além disso, o plano inclui um centro tecnológico que ocupará uma área de 20 mil metros quadrados, abrigando laboratórios, escritórios, infraestrutura digital e um centro voltado ao processamento de dados com enfoque em inteligência artificial.

Armazenamento inovador sem lítio

O sistema será baseado em baterias de fluxo redox, que pertencem a uma categoria diferente das baterias de lítio utilizadas em dispositivos como celulares e veículos elétricos. Neste modelo, a energia é armazenada em líquidos especiais que ficam em reservatórios distintos e se convertem em eletricidade ao passarem por módulos eletroquímicos.

A capacidade do sistema pode ser ampliada através do aumento dos reservatórios sem exigir modificações estruturais complexas. A empresa responsável ressalta que os líquidos utilizados são menos inflamáveis do que aqueles das tecnologias tradicionais, um aspecto crucial para instalações subterrâneas dessa magnitude.

A rapidez diante das variações climáticas

A habilidade do sistema de responder em milissegundos possibilita a injeção ou absorção instantânea da carga à medida que as oscilações ocorrem. O crescimento da geração de energia limpa proveniente de fontes solares e eólicas na Europa trouxe uma dependência climática significativa, especialmente durante períodos desafiadores para o abastecimento e aumento nos custos tarifários na região.

Baterias estacionárias grandes têm se tornado peças-chave nas políticas energéticas atuais por sua capacidade de armazenar excedentes e liberar carga quando a demanda aumenta. A localização estratégica de Laufenburg como um ponto conectivo entre diversas redes elétricas desde o século passado confere ao complexo um papel fundamental como regulador.

Recuperação do calor gerado pelos servidores

O empreendimento deverá gerar cerca de 300 empregos e aproveitar o calor residual dos servidores para aquecer uma rede regional. Essa iniciativa é projetada para evitar a emissão acumulada de aproximadamente 75 mil toneladas de CO2 ao longo de trinta anos, resultando numa média anual estimada em 2,5 mil toneladas.

A expectativa é que o funcionamento comece até o final da década. Se tudo ocorrer conforme o planejado, Laufenburg se tornará lar para um dos maiores sistemas subterrâneos de armazenamento já anunciados globalmente, mantendo seu histórico como ponto estratégico das interconexões elétricas europeias.

Inovações em destaque

Alterações significativas.

Sistema inovador enterrado sob uma cidade com capacidade resposta rápida para estabilizar a rede durante oscilações causadas por sol e vento.

Tecnologia utilizada.

Baterias redox com energia armazenada em líquidos separados que não utilizam lítio e apresentam menor risco inflamável comparadas às soluções convencionais.

Padrão atual.

A potência total prevista é equivalente àquela encontrada em usinas nucleares grandes, com operação programada para ser ativada até o final da década.

Contexto brasileiro.

No Brasil, a energia é majoritariamente armazenada nas represas das hidrelétricas e iniciativas envolvendo baterias em larga escala conectadas à rede ainda estão nas fases iniciais.