Registros de uma reunião na Eurasia com Luiz Felipe Trevisan revelam um ajuste de 1,5% do PIB no setor público, mas apenas cerca de 40% dos detalhes financeiros são apresentados; os três temas sociais ficam de fora.
A proposta econômica de Flávio Bolsonaro (PL) tem como foco a utilização do capital político imediatamente após uma possível vitória para implementar uma “Super PEC” durante o período de transição. Essas informações foram extraídas das anotações de um encontro na Eurasia com seu assessor econômico, Luiz Felipe Trevisan. O plano contempla um ajuste aproximado de 1,5% do PIB, equivalente a R$ 190 a 200 bilhões em gastos primários, além de reformas na governança. A Super PEC incluiria entre nove e dez medidas, permitindo assim que se negocie os cortes sem comprometer o montante total. Ao contrário da PEC da Transição proposta por Lula, essa abordagem visa retirar cerca de R$ 200 bilhões em despesas em vez de criar espaço equivalente. A equipe acredita que a combinação da vitória eleitoral com a rápida aprovação da PEC reduziria o prêmio de risco e os juros antes da posse, uma expectativa que o documento menciona, mas não sustenta com evidências.
O principal argumento para negociação seria a eliminação da reeleição presidencial, considerada internamente como o “super trunfo”. Flávio manifestaria sua intenção de não concorrer em 2030 e comunicaria ao Congresso que está disposto a arcar com o custo político das reformas, focando em deixar um legado. Essa proposta poderia ser apresentada como uma PEC separada ou integrada à Super PEC, sendo discutida juntamente com o pacote fiscal. O documento destaca quatro vantagens políticas: minimizar a percepção de um projeto de continuidade dos Bolsonaro, facilitar alianças com o Centrão, reduzir resistências entre potenciais candidatos à presidência em 2030 e concentrar as medidas impopulares durante o mandato de Flávio, criando também uma ponte para Tarcísio nas próximas eleições.
A origem desse ajuste estaria centrada na máquina pública, evitando inicialmente cortes na Previdência ou nos benefícios sociais. Entre as propostas estão mudanças administrativas, redução do número de ministérios em cerca de dez unidades, eliminação de cargos comissionados, revisão das tabelas salariais do funcionalismo público, implementação de serviços compartilhados e digitalização, além da gestão dos bens da União e combate a fraudes. Os valores mencionados incluem R$ 40 a 45 bilhões provenientes da reforma administrativa e digitalização, R$ 10 a 15 bilhões gerados pela gestão patrimonial e R$ 20 a 25 bilhões advindos do combate a fraudes. Na administração orçamentária, busca-se definir quem pode criar despesas e quais critérios devem ser seguidos, além da renegociação do valor das emendas parlamentares atualmente situadas entre R$ 60 a 65 bilhões.
A gestão do patrimônio da União, que soma quase R$ 6 trilhões em ativos, entrará sob novas normas que possibilitarão a venda ou monetização desses bens seguindo regras estabelecidas previamente. Os recursos obtidos seriam direcionados prioritariamente para diminuir a dívida bruta. A equipe também considera explorar a securitização dos créditos pertencentes à PGFN. No Judiciário, propõe-se maior responsabilidade dos Poderes pelas despesas geradas por eles mesmos; limites para supersalários e penduricalhos; imposição de idade mínima e exigência de carreira jurídica para ministros do STF; além da condução dos conflitos pelo Congresso e Senado ao invés da confrontação direta. Relativamente aos títulos LCI, LCA e debêntures incentivadas, sugere-se que primeiramente se implemente o ajuste fiscal seguido pela redução dos juros e posteriormente revisões nos incentivos tributários.
Em relação ao ambiente de negócios, o restante do plano é intitulado “Liberdade Econômica 2.0”, prevendo revogações para cerca de mil normas infralegais e reestruturação estatal centrada na jornada do cidadão através do uso da inteligência artificial. Além disso, pretende-se elevar a taxa de investimento de aproximadamente 17% para uma faixa entre 20% e 25% do PIB e aumentar os investimentos em infraestrutura de R$ 300 bilhões para R$ 500 bilhões anuais. O plano também busca eliminar distorções que oneram investidores estrangeiros em algumas dívidas corporativas; garantir autonomia total ao Banco Central; preservar programas sociais enquanto intensifica o combate às fraudes; formalizar trabalhadores via MEI; e desenvolver um super aplicativo voltado para capacitação profissional financiado pelo Fust.
No entanto, áreas como saúde, educação e salário mínimo não são abordadas no documento apresentado. A única alusão à educação refere-se à capacitação profissional adaptada às demandas regionais; já no tocante à saúde não há menções relevantes. Quanto ao salário mínimo, não há referências sobre a política de valorização vigente. A ressalva sobre manter Previdência e benefícios sociais “inicialmente” deixa indeterminado o cenário futuro dessas áreas. Essa omissão é significativa pois os itens detalhados representam entre R$ 70 a 85 bilhões — ou seja, entre 35% e 45% dos R$ 190 a 200 bilhões — restando assim entre R$ 105 a 130 bilhões sem fontes indicadas. Considerando as análises realizadas por especialistas como O Cafezinho, essa diferença deve ser compensada por outras despesas que incluem áreas sujeitas aos pisos estabelecidos para saúde e educação — algo que não está claramente afirmado no documento. Os cortes propostos nos cargos podem afetar servidores lotados em universidades federais e hospitais públicos enquanto a redução no número de ministérios não esclarece quais pastas seriam impactadas.
Adicionalmente, o plano favorece também os investimentos privados: propõe-se transferir recursos do ativo financeiro para iniciativas produtivas onde os fundos obtidos pela venda de ativos seriam usados para reduzir dívidas em vez de aumentar os gastos públicos. Ademais existe uma questão relacionada ao cronograma: aprovar uma PEC requererá obter apoio suficiente no Congresso atual antes que se inicie uma nova legislatura em fevereiro — isso representa um desafio visto que são necessários votos significativos tanto na Câmara quanto no Senado.
A proposta ignora mudanças nos juros e espera por resultados antes mesmo da posse
A estratégia econômica delineada por Luiz Felipe Trevisan não sugere ajustes nas taxas de juros atuais. Defende-se total autonomia ao Banco Central com base em critérios técnicos enquanto se aposta na queda das taxas através do ajuste fiscal associado à expectativa menor inflacionária e diminuição do prêmio de risco — tudo isso sem interferência política direta. Como resultado prático dessa abordagem significa que continua sob responsabilidade do Copom decidir sobre as taxas Selic sem instrumentos próprios disponíveis ao governo federal para alterá-las diretamente.
A estratégia oferecida é uma tentativa indireta: buscar aprovar a Super PEC durante o período transitório para convencer o mercado financeiro quanto às expectativas econômicas antes mesmo da posse oficial.
Porém essa expectativa depende fortemente da concretização sequencial das condições propostas: é necessário aprovar a PEC dentro do intervalo eleitoral até janeiro; garantir um ajuste credível entre R$ 190 a 200 bilhões; fazer cair realmente o prêmio associado ao risco econômico; bem como estabilizar as expectativas inflacionárias para permitir cortes nas taxas pelo Banco Central — cada passo apresenta suas incertezas inerentes devido à defasagem: as consequências financeiras negativas ocorrerão primeiro enquanto quaisquer benefícios poderão demorar mais tempo.
Consequentemente são os trabalhadores aqueles que enfrentam primeiramente essas consequências adversas: entre os itens explicativos mais relevantes está o ajuste administrativo que envolve cortes relacionados aos cargos comissionados além das tabelas salariais dentro da esfera pública — reduzindo ainda mais cerca de dez ministérios impactando diretamente empregos públicos e serviços essenciais oferecidos pela administração pública. Mais da metade desse ajuste permanece sem origem clara especificada — além disso quando Previdência social fica excluída “inicialmente”, esse saldo deverá ser retirado também através das demais despesas cuja abrangência inclui áreas críticas como saúde ou educação algo que não é mencionado explicitamente no documento apresentado anteriormente.
O uso potencial das vendas dos ativos seria direcionado apenas à contenção da dívida bruta sem qualquer intenção evidente voltada expandir investimentos públicos necessários.
Ademais deve-se considerar os impactos macroeconômicos imediatos dessa medida: retirar aproximadamente 1,5% do PIB representa queda na demanda geral — influenciando diretamente no mercado laboral dependendo dos multiplicadores fiscais que geram controvérsias acentuadas entre economistas podendo resultar numa compensação insuficiente proveniente dos investimentos privados esperados após tal movimento inicial favorável previsto pela proposta apresentada visando expandir taxa investida entre estilos distintos (de aproximadamente17% alcançando até valores próximos aos25%). Para muitos trabalhadores isso implica diretamente nas linhas creditícias acessíveis pois se reduzirem tardiamente ou consideravelmente menos efetivas podem significar pagarem esse ajuste sem receber contrapartidas adequadas relacionadas à redução nos custos financeiros associados aos empréstimos tomados anteriormente.
Os defensores deste projeto poderiam argumentar favoravelmente quanto aos seus efeitos desejáveis sobre estabilidade fiscal capaz proporcionar diminuição significativa nos prêmios relacionados riscos financeiros levando consequentemente diminuição nas taxas longas enquanto simultaneamente sustentam nível adequado gasto privado promovendo empregos formais beneficiando assim trabalhadores mais amplamente comparativamente expansão desmedida gastos públicos adotados anteriormente observando ainda preservação programas sociais adiando discussões pertinentes referente Previdência onde venda ativos contribuirá diminuição carga financeira existente favorecendo maior capacidade ação autônoma Banco Central garantindo sólida condução políticas monetárias necessárias correspondentes realidades econômicas atuais encontradas País.
Esse debate remete ainda precedente histórico ocorrido entre anos2016-2018 quando teto gastos aprovado resultou queda Selic durante dois anos consecutivos mesmo com desemprego elevado mantendo polarizações acentuadas opiniões divergentes sobre eficácia medida aplicada diante complexidade cenários emergentes futuros dependem composição detalhamento execução ajustes associados propostos conforme documentos disponibilizados anteriormente analisados criticamente por especialistas setoriais reconhecidos neste campo econômico específico dentro contexto atual presente sociedade brasileira contemporânea realidade atual enfrentamos todos juntos agora mesmo!
