Hezbollah disponibiliza até US$ 14 mil para auxiliar famílias desabrigadas com aluguel e mobiliário

Na terça-feira, dia 13, o Hezbollah revelou um novo programa destinado a fornecer suporte financeiro para aluguel e aquisição de móveis a famílias que perderam suas residências em decorrência dos bombardeios israelenses no Líbano. Nos subúrbios ao sul de Beirute, cada família pode receber até 14 mil dólares, o que equivale a aproximadamente R$ 75 mil, distribuídos em quatro parcelas ao longo de um ano.

Valores variáveis conforme a localização

Durante uma coletiva de imprensa, Ali Damoush, presidente do Conselho Executivo do Hezbollah, explicou os detalhes das diretrizes do programa. Nas áreas de Beirute e seus arredores, a assistência é dividida em 8 mil dólares destinados à compra de móveis e 6 mil para cobrir despesas com aluguel. Em outras regiões do país, a soma total pode alcançar 12 mil dólares (cerca de R$ 65 mil), sendo 8 mil para móveis e 4 mil para aluguel. O primeiro pagamento será de 3,5 mil dólares para Beirute e suas adjacências e de 3 mil dólares nas demais localidades.

O auxílio será concedido apenas às famílias que utilizavam o imóvel como residência principal e não possuíam outra casa. A seleção das beneficiárias baseia-se em uma avaliação técnica das moradias que foram destruídas ou se tornaram inabitáveis, incluindo aquelas cujos moradores foram forçados a deixar áreas ocupadas por Israel ou que estão nas proximidades dessas zonas. Damoush mencionou que as avaliações já estão em andamento e criticou o governo libanês por não ter anunciado um plano de ajuda direta às famílias afetadas até o momento.

Controvérsia sobre financiamento

No dia 7 de setembro, a Reuters reportou, com base em informações de duas fontes familiarizadas com o assunto, que o Hezbollah teria recebido 200 milhões de dólares do Irã (aproximadamente R$ 1,1 bilhão) para auxiliar os deslocados. Essas fontes indicaram que a prioridade da ajuda seria direcionada a cerca de 50 mil famílias cujas aldeias foram devastadas ou tornaram-se inacessíveis devido à presença militar israelense.

Em resposta, Tommy Pigott, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, contestou essa informação dizendo que o dinheiro “não está disponível” e acusou o Hezbollah de tentar criar uma imagem positiva com relatos infundados sobre transferências financeiras do Irã. No mês anterior, Naim Qassem, secretário-geral do Hezbollah, havia mencionado que o grupo pretendia contribuir em breve para um projeto habitacional voltado para milhares de deslocados.

Os custos da guerra

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, declarou no último mês que os custos de reconstrução após as duas guerras desde 2024 podem ultrapassar os 27 bilhões de dólares (cerca de R$ 146 bilhões). Os 200 milhões reportados pela Reuters representam menos de 1% desse montante total.

O Hezbollah se envolveu nas hostilidades em 2 de março após ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Desde então, os bombardeios israelenses resultaram na morte de mais de 4.300 pessoas no Líbano, conforme dados do Ministério da Saúde local. Além disso, centenas de milhares foram forçadas a abandonar suas casas. Tropas israelenses ainda permanecem em várias áreas do sul libanês, impedindo muitas das famílias beneficiadas pelo programa proposto de retornarem para suas residências.