Mariangela Hungria é reconhecida no Time 100 por transformar a agricultura através de microrganismos

Mariangela Hungria, que atua como engenheira agrônoma e microbiologista na Embrapa Soja, foi reconhecida na lista Time 100 de 2026 na seção Pioneiros. A revista Time destacou sua habilidade em inovar, o que tem contribuído para uma nova abordagem no manejo agrícola em larga escala.

O anúncio homenageia indivíduos cujas contribuições têm um impacto significativo em diversos setores da sociedade.

Natural de São Paulo e criada em Itapetinga, no interior do estado, a cientista nasceu em 6 de fevereiro de 1958. Sua formação acadêmica inclui um diploma em Engenharia Agronômica pela Esalq-USP, um mestrado em Solos e Nutrição de Plantas na mesma instituição, um doutorado em Ciência do Solo pela UFRRJ e pós-doutorados realizados nas universidades Cornell, University of California-Davis e Universidade de Sevilla.

Desde 1982, Mariangela faz parte da equipe de pesquisadores da Embrapa. Ela começou suas atividades na unidade de Agrobiologia localizada em Seropédica, no Rio de Janeiro, e desde 1991 vem realizando seus projetos na Embrapa Soja, situada em Londrina, Paraná.

A cientista possui uma produção acadêmica ampla e relevante, com mais de 500 publicações científicas e 30 tecnologias desenvolvidas, além de ter orientado mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.

O foco principal das suas pesquisas está no uso de microrganismos que visam diminuir ou eliminar a necessidade de fertilizantes químicos. Esses bioinsumos são essenciais para a fixação biológica do nitrogênio, síntese de hormônios vegetais e solubilização de minerais necessários ao crescimento das plantas.

Dentre as inovações que se destacam está a técnica de inoculação anual das sementes de soja com bactérias do gênero Bradyrhizobium. Essa prática pode aumentar a produtividade média dos grãos em cerca de 8%, mesmo em áreas onde a técnica já foi aplicada anteriormente e sem a necessidade de fertilizantes nitrogenados adicionais.

A coinoculação que combina Bradyrhizobium com Azospirillum brasilense é utilizada em aproximadamente 35% das áreas cultivadas com soja no Brasil. A implementação dessas duas práticas gerou uma economia estimada em cerca de 25 bilhões de dólares no ano de 2024.

No que diz respeito ao meio ambiente, essas práticas contribuíram para evitar a emissão aproximada de 230 milhões de toneladas equivalentes a CO₂. Os dados divulgados pela Embrapa indicam o potencial dessa abordagem para ser aplicada em outras culturas agrícolas.

Antes da inclusão na lista Time 100 em 2026, Mariangela já havia sido indicada para a lista Time 100 Climate do ano anterior na categoria Defensores. No mesmo ano, ela também recebeu o prestigiado World Food Prize, considerado o Nobel da Agricultura.

Além disso, ela foi agraciada com o título de Eminente Engenheira do Ano 2025 pelo Instituto de Engenharia e recebeu honrarias como a comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico e é membro titular das Academias Brasileira de Ciências, Brasileira de Ciência Agronômica e Mundial de Ciências.

Através desses reconhecimentos, Mariangela Hungria se firma como uma referência internacional na área da ciência do solo. Seu legado comprova que investimentos em pesquisa microbiológica podem proporcionar não apenas soberania agrícola mas também eficiência econômica aliada à proteção ambiental.

Com informações adicionais sobre o tema.


Assine a Newsletter do O Cafezinho

Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, gratuitamente e sem complicações, todas as manhãs. Para se inscrever, basta inserir seu endereço eletrônico abaixo:

[mailchimp_subscribe_form]