Na Etiópia, milhões de eleitores se dirigem às urnas para participar das eleições gerais, que o primeiro-ministro Abiy Ahmed considera um passo em direção à democracia. O partido no poder desde 2018 espera obter uma vitória significativa, mesmo diante de conflitos internos e questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral.
O pleito acontece em um contexto de intensa divisão étnica e regional, com muitos distritos impossibilitados de votar devido a episódios de violência. O governo defende a exclusão de partidos opositores como uma estratégia para garantir a estabilidade, enquanto especialistas argumentam que essa fragmentação pode beneficiar a manutenção do partido governante.
De acordo com Samuel Getachew, um analista da política etíope, o eleitorado está disperso e a oposição se mostra fraca, sem conseguir apresentar uma alternativa coesa. Martin Plaut, pesquisador do King’s College London, aponta que os conflitos regionais comprometem a viabilidade de uma verdadeira transição democrática.
Bizuneh Yimenu, professor de política comparada, expressa preocupação com o crescente desafio ao federalismo étnico, que sustenta a constituição etíope. A ausência de votação em várias circunscrições levanta incertezas sobre a autenticidade dos resultados eleitorais, apesar das declarações oficiais sobre um avanço histórico.
Abiy Ahmed, que chegou ao poder prometendo reformas significativas, tem enfrentado críticas por autoritarismo após eventos como a guerra no Tigray. Especialistas afirmam que estas eleições parecem mais uma tentativa de solidificar o domínio do partido governista do que um verdadeiro esforço para aumentar a participação popular.
Este evento eleitoral representa um momento crucial para a estabilidade da Etiópia, o segundo país mais populoso da África. Os resultados poderão tanto intensificar as divisões étnicas existentes quanto abrir caminho para uma governança mais representativa em uma das nações mais complexas do continente.
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