Detido é surpreendido com drogas antes de ser transferido para penitenciária de segurança máxima de Kast

Na última segunda-feira (31), um tribunal no Chile impôs uma multa ao cidadão chinês Haifeng Tang, que se encontra detido por homicídio, sequestro e tráfico de drogas. A penalidade foi aplicada após a descoberta de cocaína em suas vestimentas, ocorrida um dia antes de sua transferência para La Laguna, a prisão de segurança máxima utilizada pelo presidente José Antonio Kast como exemplo de sua política rigorosa.

Tang passou por uma revista no dia 12 de agosto no estabelecimento prisional Santiago Uno. Durante a inspeção realizada pela Gendarmería, foram encontradas duas bolsas transparentes e seladas contendo aproximadamente um grama de substância branca, cujo teste indicou ser cocaína.

O 7º Juizado de Garantia de Santiago estipulou a sanção em 1 UTM, equivalente a 71.649 pesos chilenos ou cerca de US$ 75. Caso não efetue o pagamento, Tang poderá enfrentar uma pena alternativa de até seis meses.

A falha antes da vitrine

O aspecto político da decisão não reside na quantidade da droga encontrada, mas sim no contexto da apreensão. Tang já havia recebido autorização para iniciar o deslocamento em direção à La Laguna, localizada em Talca, a aproximadamente 250 quilômetros ao sul de Santiago, quando a cocaína foi descoberta durante a revista.

A transferência estava inserida na Operação Cancerbero, uma ação governamental destinada ao deslocamento de presos considerados altamente perigosos. No dia 13 de agosto, o presidente visitou o presídio para divulgar o plano como parte da luta contra o crime organizado e da recuperação do controle do Estado sobre os estabelecimentos prisionais.

A inspeção realizada pelos agentes da Gendarmería evitou que a droga fosse levada pelo detento até a unidade máxima de segurança. Ao mesmo tempo, revelou as vulnerabilidades do sistema que Kast apresentou como um símbolo de autoridade.

Tang também enfrenta acusações por porte ilegal de armas e formação de associação criminosa. A vítima do homicídio está identificada pela Promotoria como sendo outro cidadão chinês.

Rede criminosa e custo público

Autoridades chilenas associam Tang a uma organização criminosa chinesa sob investigação por delitos graves no país. Este é o segundo incidente em cinco meses envolvendo um preso chinês vinculado à mesma rede recebendo punição por posse de cocaína nas instalações prisionais.

Até o ano passado, apenas uma única rede criminosa chinesa havia sido detectada pelas investigações no Chile. Atualmente, três frentes estão sendo apuradas, abrangendo desde cassinos ilegais em Santiago até operações fraudulentas na região norte do país.

Para os contribuintes chilenos, as implicações são diretas. A promessa de um sistema prisional seguro exige investimentos em infraestrutura, tecnologia, pessoal e campanhas publicitárias estatais; no entanto, um erro elementar permitiu que um preso transportasse cocaína até o dia anterior à sua transferência.

Vale ressaltar que La Laguna não foi criada durante a gestão de Kast; esta unidade foi inaugurada sob o governo anterior de Gabriel Boric e passou a ser ocupada gradativamente. Contudo, o atual presidente transformou essa instalação em um ícone da sua agenda prisional e assumiu politicamente os resultados da Operação Cancerbero.

Essa questão é relevante; o caso não revela drogas localizadas dentro da La Laguna após a chegada de Tang. Em vez disso, evidencia uma falha anterior igualmente preocupante para a narrativa oficial: o processo inadequado de seleção e revista quase permitiu que um detento associado ao crime organizado chegasse à prisão modelo portando cocaína.

A penalidade imposta é baixa considerando a gravidade da situação. A falha é ainda mais significativa. O governo Kast precisa demonstrar que sua abordagem em segurança resulta em controle efetivo sobre as prisões e não se limita a cenas impactantes de transferências para estabelecimentos prisionais máximos.