Por Kleber Karpov
Foi divulgada nesta quarta-feira (14/Jan) pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) a relação de igrejas e lideranças evangélicas que estão sob investigação na CPMI do INSS. A iniciativa surgiu após uma pressão do pastor Silas Malafaia, que cobrou em um vídeo publicado nas redes sociais a identificação dos envolvidos, após declarações da parlamentar sobre o envolvimento de instituições religiosas em esquemas de fraudes contra aposentados.
De acordo com a senadora, as medidas adotadas, que incluem convocações e transferências de sigilo, têm como base informações técnicas da Receita Federal e Relatórios de Inteligência Financeira (RIF). O assunto se tornou uma crise no meio evangélico após Damares insinuar, em uma entrevista ao SBT News, que grandes estruturas religiosas estariam sendo usadas para encobrir desvios.
Confrontos e reações
A polêmica se intensificou quando Silas Malafaia publicou um vídeo questionando a postura de Damares. O pastor exigiu provas e nomes, classificando as declarações da senadora como uma ofensa à liderança evangélica nacional.
“A senhora precisa apresentar os nomes, caso contrário será considerada leviana e fofoqueira. A acusação é grave e séria. […] Se não tem os nomes e as provas, cale a boca. Se tem, denuncie em benefício da igreja evangélica. Isso é vergonhoso, um absurdo. A liderança evangélica está indignada com sua postura covarde e vergonhosa. Estou aguardando os nomes”, afirmou Malafaia.
Por outro lado, Damares reiterou que as informações são públicas e constam nos documentos da comissão.
“Estamos identificando igrejas envolvidas em esquemas de fraudes contra aposentados. E quando se trata de um grande pastor, surge a comunidade: ‘Não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes'”, declarou a senadora, enfatizando que “grandes igrejas no Brasil estão sendo apontadas na CPMI do INSS. E isso me entristece muito”.
Instituições mencionadas
A lista divulgada pela parlamentar indica pedidos de transferência de sigilo bancário e fiscal de várias denominações. Entre as instituições mencionadas nos requerimentos estão:
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Transferência de sigilo da Adoração Church;
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Transferência de sigilo da Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo;
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Transferência de sigilo do Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch);
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Transferência de sigilo da Igreja Evangélica Campo de Anatote.
Lideranças sob investigação
A CPMI também está investigando nomes influentes no cenário religioso e empresarial. Entre os citados para depoimento ou que tiveram a quebra de sigilo solicitada, destacam-se:
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Convite a Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso;
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Convite a Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso;
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Convocação de André Machado Valadão, líder religioso, para depoimento;
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Transferência de sigilo de André Machado Valadão;
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Convite a Péricles Albino Gonçalves, líder religioso;
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Convite a André Fernandes, líder religioso.
Uma das atenções da comissão está voltada para Fabiano Zettel. O senador Rogério Correia (PT-MG) justificou que seu depoimento é “essencial para identificar sua proximidade com os envolvidos no escândalo e compreender a possível participação dos Golden Boys em instituições religiosas e financeiras”.
A CPMI agora deve analisar os requerimentos que ainda não foram aprovados. Damares Alves reforçou que, apesar do desconforto pessoal, o dever constitucional de investigar as fraudes no INSS deve prevalecer sobre questões institucionais ou religiosas.
Kleber Karpov, Fenaj: 10379-DF – IFJ: BR17894
Mestrando em Comunicação Política (Universidade Católica Portuguesa/Lisboa, Portugal); Pós-Graduando em MBA Executivo em Neuromarketing (Unyleya); Pós-Graduado em Auditoria e Gestão de Serviços de Saúde (Unicesp); Extensão em Ciências Políticas por Veduca/ Universidade de São Paulo (USP);Ex-secretário Municipal de Comunicação de Santo Antônio do Descoberto(GO); Foi assessor de imprensa no Senado Federal, Câmara Federal e na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
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