Recentemente, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos solicitou à empresa Honeywell que acelerasse a produção de tecnologias críticas, evidenciando a intensificação da corrida tecnológica e estratégica que está redefinindo as alianças globais. Em um cenário onde o domínio de setores como aeroespacial, semicondutores e inteligência artificial está diretamente ligado à supremacia militar e econômica, essa ação reforça a ideia de que estamos vivendo uma nova Guerra Fria, desta vez com foco em tecnologia.
Para o Brasil, que busca se reposicionar no cenário internacional após anos de isolamento e subserviência ideológica, essa situação representa ao mesmo tempo um alerta e uma oportunidade. O governo anterior herdou um país com capacidade industrial e científica enfraquecida, porém com potencial em setores estratégicos. A dependência tecnológica, principalmente em áreas sensíveis como defesa e comunicações, é uma vulnerabilidade nacional que precisa ser tratada como política de Estado, não apenas como agenda governamental.
Enquanto o governo anterior celebrou a subordinação tecnológica e tratou o Brasil como mero consumidor e parceiro secundário, uma reconstrução progressista exige que sejamos soberanos também em termos de inovação. O momento geopolítico atual, com potências acelerando sua autonomia em tecnologias críticas, deve impulsionar um projeto nacional de reindustrialização baseado no conhecimento, com investimentos substanciais em educação, ciência e parcerias estratégicas que promovam a transferência de tecnologia, e não apenas a compra de equipamentos.
Às vésperas de 2026, a discussão sobre o projeto de nação deve considerar essa dimensão. A alternativa ao projeto desenvolvimentista e soberano será, inevitavelmente, um retrocesso à condição periférica e dependente. A urgência na aceleração da produção de defesa nos EUA nos lembra que o futuro é construído com planejamento, ciência e uma clara visão de interesse nacional. O Brasil não pode ficar para trás nessa corrida.
