DESI conclui ambicioso mapeamento 3D do cosmos e desafia a estabilidade da energia escura

O Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI) finalizou sua missão inicial de cinco anos antes do previsto, produzindo o mais minucioso mapa tridimensional do universo já registrado.

Superando as expectativas, o projeto conseguiu mapear mais de 47 milhões de galáxias e quasares, um número significativamente maior do que os 34 milhões projetados pela equipe inicialmente.

Além disso, o instrumento capturou a luz de mais de 20 milhões de estrelas próximas. Com 5.000 fibras ópticas montadas no telescópio Nicholas U. Mayall, localizado no Observatório Kitt Peak, no Arizona, o DESI investigou os efeitos da energia escura ao longo de cerca de 11 bilhões de anos da história cósmica.

A análise dos dados coletados nos três primeiros anos sugeriu que essa enigmática força pode estar se enfraquecendo ao longo do tempo. Essa possibilidade contraria diretamente a visão tradicional do modelo cosmológico Lambda-CDM, que considera a energia escura como uma constante imutável.

Se os resultados dos cinco anos confirmarem essa tendência, será necessário um reexame profundo das teorias sobre a expansão do universo. Tal descoberta poderia desafiar um dos fundamentos da cosmologia moderna.

Uma colaboração internacional composta por mais de 900 pesquisadores e estudantes de doutorado de mais de 70 instituições participou deste projeto. De acordo com informações provenientes da UC Santa Cruz, todas as metas foram alcançadas com um alto nível de precisão.

O DESI continuará suas operações até 2028 para aumentar a densidade das observações em uma área aproximada de 17.000 graus quadrados. Esta fase adicional permitirá uma investigação mais aprofundada sobre galáxias vermelhas distantes, florestas Lyman-alfa, matéria escura e galáxias anãs na Via Láctea.

A energia escura representa cerca de 70% da densidade total da energia-matéria do universo. Por isso, qualquer alteração em seu comportamento ao longo do tempo pode ter implicações significativas para o futuro do cosmos, sua taxa de expansão e sua estrutura em larga escala.

No momento, a comunidade científica está analisando o vasto conjunto de dados coletados, com especial atenção aos resultados dos primeiros três anos. Espera-se que os primeiros artigos científicos baseados nesse extenso banco de dados comecem a ser publicados em 2027.

Esses achados oferecem novas perspectivas sobre a evolução do universo desde o Big Bang. O êxito do DESI destaca a habilidade dos instrumentos terrestres avançados em desvendar mistérios cósmicos que antes eram considerados inatingíveis.

Com informações de space.com.


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