Paulo Gala, economista e docente da Fundação Getulio Vargas (FGV), indicou que o estado de São Paulo será o mais afetado pela nova série de tarifas que os Estados Unidos impuseram sobre produtos brasileiros. Em uma conversa com a revista Carta Capital, Gala esclareceu que as exportações do Brasil para os EUA são predominantemente compostas por bens manufaturados, como peças automotivas, em contraste com as transações com a China, que são majoritariamente baseadas em commodities.
Esse perfil das exportações torna as novas taxas impostas pelos EUA um fator que acentua a primarização da balança comercial brasileira. O setor industrial paulista, que é responsável pela maior parte das exportações de produtos manufaturados do país, será particularmente impactado. “Esse cenário prejudica diretamente São Paulo, o principal estado na exportação industrial no Brasil”, destacou.
Gala também ressaltou que ainda existem oportunidades de negociação, dado que os Estados Unidos não desejam afastar o Brasil de sua influência. Eles querem que o Brasil continue se alinhando cada vez mais com os interesses americanos, conforme avaliou. No entanto, a expectativa é de que algumas tarifas sejam implementadas, o que poderá consolidar a reprimarização da economia brasileira.
Enquanto isso, estados das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil, que se especializam na exportação de soja e minério de ferro para a China, desfrutam de superávits significativos. Em contrapartida, o polo industrial de São Paulo deverá enfrentar as consequências dessas medidas tarifárias de forma mais severa. As novas imposições podem ter um impacto considerável na economia local, especialmente no setor industrial já vulnerável a desafios econômicos.
