Uma nova pesquisa do Instituto Real Time Big Data (RTBD), divulgada nesta quarta-feira (9), traz uma mudança discreta, mas simbolicamente relevante, na disputa pelo governo da Bahia: pela primeira vez na série histórica do próprio instituto, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) aparece numericamente à frente do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). No cenário estimulado de primeiro turno, Jerônimo soma 45% das intenções de voto, contra 44% de ACM Neto — diferença de um ponto, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico. Mas o dado chama atenção justamente pela inversão: na rodada anterior do mesmo instituto, divulgada em 11 de agosto, era ACM Neto quem aparecia à frente, com 44% contra 42% de Jerônimo.
O mesmo padrão se repete no cenário de segundo turno, no qual Jerônimo aparece com 46% e ACM Neto com 45% — também dentro da margem de erro, mas mantendo o governador na posição numericamente superior. Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados não recebem lista de nomes, o resultado segue a mesma toada: Jerônimo tem 20%, ACM Neto, 19%, e o ex-governador Rui Costa (PT), hoje candidato ao Senado, aparece citado por 1%. Vale destacar que a indefinição nessa modalidade é considerável: 49% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder quando não apresentada a lista de candidatos.
O levantamento também trouxe dados sobre a avaliação da gestão estadual: 53% aprovam o governo Jerônimo Rodrigues, um índice que segue consistentemente positivo ao longo do ciclo eleitoral, embora sua tradução em vantagem eleitoral clara continue sendo, como este site já vinha registrando, mais tímida do que a aprovação isoladamente sugeriria. Na disputa pelas duas vagas ao Senado, Rui Costa lidera com folga o cenário consolidado, com 26%, à frente de Jaques Wagner (PT), João Roma (PL) e Angelo Coronel (Republicanos) — reforçando o padrão, também já observado em pesquisas anteriores, de que a força eleitoral do PT na Bahia aparece mais robusta nas disputas legislativas e no plano presidencial do que na corrida pelo Palácio de Ondina.
Os índices de rejeição, por sua vez, mostram um detalhe que merece nuance: ACM Neto aparece com rejeição de 45%, ligeiramente superior aos 43% de Jerônimo Rodrigues — mas essa diferença de dois pontos também está dentro do que pode ser atribuído a variação estatística, dado o desenho da pergunta, que permitia múltiplas respostas por entrevistado. Os demais nomes testados — Ronaldo Mansur (PSOL), Estevão (DC), Ariel Capistrano, Aroldo Félix e Maria Bona — aparecem com índices de rejeição bem menores, entre 13% e 22%, o que é esperado dado o menor grau de exposição desses candidatos na disputa principal.
É importante situar esse resultado dentro do quadro mais amplo que pesquisas de diferentes institutos vêm produzindo para a mesma corrida ao longo do ano. Enquanto RTBD e Quaest tendem a registrar cenários de equilíbrio técnico entre os dois principais nomes, institutos como Paraná Pesquisas e, mais recentemente, a AtlasIntel, vêm captando vantagens mais consistentes para ACM Neto — em alguns casos, de até oito ou nove pontos percentuais. Essa divergência metodológica entre institutos igualmente registrados na Justiça Eleitoral, medindo a mesma disputa na mesma janela temporal, já havia sido detalhada por este site em matérias anteriores, e o resultado desta quarta-feira reforça a necessidade de cautela ao tratar qualquer pesquisa isolada como retrato definitivo da corrida baiana.
A pesquisa ouviu 1.600 eleitores na Bahia, entre os dias 4 e 8 de setembro, por telefone e pela internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%, e o levantamento foi contratado pelo próprio instituto e está registrado no TSE sob o número BA-01568/2026.
Com a eleição marcada para 4 de outubro, a disputa baiana segue, portanto, tecnicamente indefinida mesmo entre pesquisas do mesmo instituto ao longo do tempo — um padrão que tende a manter Jerônimo Rodrigues e ACM Neto disputando, rodada após rodada, não apenas o eleitorado indeciso, mas também a própria narrativa sobre quem está, de fato, à frente.
