A Comissão Estadual do Partido Socialista Brasileiro (PSB) no Maranhão decidiu pela expulsão do prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, popularmente conhecido como Fernando Bermuda. A resolução, identificada como 008/2026, foi aprovada por unanimidade durante uma reunião extraordinária no último sábado (8) e divulgada na segunda-feira (10). A medida foi motivada por gravações e mensagens em que o prefeito supostamente pressionava servidores públicos a apoiarem Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, ameaçando demissões em caso de não apoio.
Com essa decisão, a filiação de Fernando Bermuda ao PSB foi cancelada, evidenciando uma crise interna no partido. Em nível nacional, a legenda faz parte da coligação com o PT e apoia Geraldo Alckmin na candidatura à Vice-Presidência. No Maranhão, o PSB declarou apoio a Felipe Camarão (PT) para o governo estadual, enquanto o prefeito havia manifestado sua preferência por Orleans Brandão (MDB), além de atuar ativamente em favor de candidaturas opositoras.
Coerção sobre os colaboradores e jingle gerado por IA
A divulgação de áudios e mensagens onde Bermuda associava a manutenção dos empregos públicos ao suporte eleitoral ao candidato do PL foi o catalisador para sua expulsão. Em uma dessas gravações, ele alertou que servidores que votassem em Lula estariam sujeitos à perda de seus cargos após as eleições. O episódio repercutiu nacionalmente e incluiu também um jingle elaborado por inteligência artificial que condicionava a permanência dos funcionários ao voto em Flávio Bolsonaro, conforme revelações feitas pela Revista Fórum e pelo Metrópoles.
<pEm resposta à situação, Fernando Bermuda emitiu uma nota oficial reconhecendo ter utilizado “tom e palavras inadequados” nas conversas informais. Contudo, ele negou qualquer tipo de coerção ou demissão de colaboradores devido a questões políticas. O prefeito argumentou que suas declarações eram meramente opiniões sobre os possíveis efeitos orçamentários da situação nacional na administração local — um argumento que contrasta com os dados disponíveis: entre janeiro de 2023 e julho de 2026, Campestre do Maranhão recebeu mais de R$ 185 milhões em verba federal, conforme levantamento oficial citado nas reportagens.
A expulsão implica na saída do prefeito dos quadros do PSB; contudo, isso não resulta automaticamente na perda do seu mandato. O partido indicou que as atitudes dele configuram indícios de abuso de poder político, cabendo à Justiça Eleitoral a responsabilidade de analisar o caso e determinar possíveis sanções legais.
