Lejeune Mirhan, sociólogo, professor universitário e analista internacional, faleceu nesta quinta-feira (6), aos 69 anos, em Campinas. Ele estava internado na UTI do Hospital Madre Teodora e perdeu a vida em decorrência de uma parada cardíaca, após enfrentar uma longa série de problemas de saúde.
Tive a oportunidade de conhecer e entrevistar o professor Lejeune em várias ocasiões durante meu tempo na TV Fórum. Suas análises minuciosas sobre o Oriente Médio tornaram suas entrevistas algumas das mais assistidas da história do programa e da emissora.
Combinando profundidade acadêmica e clareza na explicação, Lejeune tinha uma habilidade única para tornar acessíveis os complexos movimentos geopolíticos globais ao público. Ele abordava com paixão e rigor temas desafiadores como imperialismo e a causa palestina, sempre com generosidade em suas participações.
Nascido em Corumbá, Mato Grosso do Sul, Lejeune construiu uma carreira notável tanto na militância política quanto no meio acadêmico. Ocupou a presidência do Sindicato dos Sociólogos de São Paulo por duas vezes e sua dissertação de mestrado foi orientada por Florestan Fernandes.
Uma vida dedicada ao internacionalismo
Como professor aposentado da Universidade Metodista de Piracicaba, ele dedicou boa parte de sua vida à causa do povo palestino. Participou de diversas missões humanitárias no Oriente Médio e é autor de mais de dez livros que abordam temas como geopolítica, marxismo e relações internacionais.
Descendente de uma tradicional família da comunidade suriana em Corumbá, o pesquisador também se dedicou a resgatar a história da imigração em seus estudos. Além disso, fundou a editora Apparte, que serviu como um canal para a divulgação de importantes obras sobre a luta anti-imperialista.
Um legado para a esquerda brasileira
Ainda após sua aposentadoria acadêmica, Lejeune continuou ativo com uma agenda repleta de palestras, debates e análises na mídia independente. Ele sempre reafirmou seu vínculo com sua cidade natal e seu compromisso firme com a transformação social.
A morte de Lejeune Mirhan marca o fim da trajetória de uma das mentes mais brilhantes e atuantes da esquerda brasileira no âmbito internacional. Seu legado de conhecimento, coerência e generosidade deixará um impacto duradouro em futuras gerações de estudantes, pesquisadores e ativistas.
